Os avanços da tecnologia são às vezes conflitantes entre si, porque não se acasalam e só podem conviver isoladamente. Caso do automóvel e do telefone celular. Chegou um momento da história da humanidade em que o carro se tornou indispensável, e o celular, este é tão necessário na vida contemporânea quanto o respirar. O Brasil tem 32 milhões de veículos automotores de quatro rodas e o mesmo número de celulares. Não significa que cada usuário de celular tenha igualmente um carro, como também o contrário, mas veja-se que o uso desses bens é generalizado, o que tende a aumentar, e em velocidade espantosa.
Agora o Conselho Nacional de Trânsito, que já proibia o uso do celular ao volante, acrescentou ao motorista a proibição do fone de ouvido e viva-voz. A decisão divide opiniões, mas os argumentos a favor são fortes. No caso do celular, estudos canadenses comprovaram aumento de 40% de acidentes automobilísticos por causa do uso desse aparelho, e a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego demonstra que o motorista que conversa ao celular fica tão desatento quanto uma pessoa alcoolizada.
A entidade afirma que, se o condutor estiver a 50 quilômetros/hora, percorrerá 30 metros sem prestar atenção na pista se estiver olhando o painel do celular para conferir uma chamada ou digitar um número. Nesse tempo pode atropelar alguém, bater em outro veículo ou subir na calçada. A multa para quem for flagrado é de R$ 85,13 e 4 pontos na carteira.
A aplicação de multa contra o infrator das novas regras só começará a vigorar daqui a dois meses, mas a proibição de viva-voz passa a ser uma nova ameaça ao motorista, pois o fiscal nunca saberá se ele estará falando com alguém dentro do carro, eventualmente uma criança no banco de trás, que fica invisível, ou se está falando sozinho, o que é muito comum. E quem for multado, só pode recorrer depois de pagar a multa, e dificilmente ganhará a causa, porque interessa a muitos a gorda arrecadação das multas. O agente fiscaliza o motorista mas ninguém fiscaliza os critérios do agente.

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