A presença dos candidatos no rádio e na TV é uma forma de os eleitores fazerem uma avaliação sobre em quem votar, e dá oportunidade igual a todos os concorrentes. Embora estes não sejam os programas de maior audiência, porque a maioria dos cidadãos não lhes dá atenção ou desliga os aparelhos, são ainda a melhor forma de campanha eleitoral, já que o povo vai muito pouco a comícios e não se dispõe a ouvir candidatos no corpo a corpo. A democracia política se escreve dessa maneira, e como o voto é obrigatório, o cidadão deve aproveitar essa oportunidade, para não ter de votar aleatoriamente. Embora ouvir essas pregações políticas seja enfadonho, será necessário um esforço de cidadania, porque das escolhas que se fizer para prefeito e vereador irá depender o futuro das respectivas cidades. Se o cidadão não participa, perde o direito moral de reclamar depois, e se pelo mais apurado critério ainda há o risco de erro, a alienação e a votação cega são posturas irresponsáveis. A oportunidade de votar, em cada eleição, é sempre única, e o voto consciente significa cada indivíduo tomando parte ativa no processo. Ademais porque o povo paga para ouvir, não havendo horário eleitoral gratuito, embora esse o título que se lhe dá, já que o governo ressarce as emissoras em forma de benefício fiscal e isso significa subtração de dinheiro dos cidadãos. No que tem a ver com os candidatos, pede-se que respeitem o eleitorado e abominem a demagogia e as promessas irrealizáveis, porque as pessoas já estão cansadas desse procedimento. O eleitor é capaz de distinguir entre candidatos capazes de fazer algo pela comunidade e os oportunistas, que não têm chance alguma mas se alistam, supostamente com o objetivo apenas de fazer nome e tentar outra vez no pleito seguinte. O excesso de partidos dá oportunidade a um grande número de concorrentes, mais poluindo o processo do que dando contribuição à democracia, pois não há uma escolha criteriosa dos postulantes ao pleito, por parte de certas agremiações. O que visam são parcerias e eventualmente a compensação em forma de cargos futuros na administração. Candidatos sem preparo nem deveriam apresentar-se, porque a função pública exige capacidade de desempenho e não é lugar adequado para incompetentes. Eleição não é um brinquedo para teste de prestígio eleitoral, a fim de o concorrente saber quantos são os amigos capazes de confiar-lhe o voto. Por isso, com toda a chatice que representa ficar diante da TV ouvindo discursos, é preciso esse sacrifício, para fim de uma seleção. Um pouco de sofrimento agora para não ter de lamentar mais tarde.

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