Fazer grandes reformas, como quer o pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva – e falamos dele pelo evento de seu encontro, agora, com empresários paranaenses – é o caminho para o Brasil evoluir da situação em que se encontra, mas é longo o trajeto que vai do discurso à concretização. Em seu encontro com as lideranças máximas da classe empresarial do Paraná, sexta-feira, em Curitiba, Lula mencionou entre seus projetos promover as reformas tributária, agrária, previdenciária, política e sindical, e revolucionar o comércio exterior, mas ele sabe que não poderá fazer isso sozinho, pela simples vontade ou por ato ditatorial, porque terá de contar com a concordância do time contrário, que é a comunidade parlamentar sediada no Congresso. E por aí as jogadas são ficam fáceis. Há que saber driblar, melhor dizendo barganhar, porque sempre foi dessa forma que as coisas funcionaram.
Lula – e o discurso dos demais candidatos, com algumas variáveis, não é tão diferente – não diz como fará a reforma tributária, se isso não dependerá apenas de sua vontade; também não apresentou um projeto detalhado de reforma agrária; não disse como, na prática, mudará o sistema previdenciário, semi-falido; como implementará uma reforma política se tal não é atributo do presidente da República; e como pretende incrementar as exportações. Há uma pauta de vontades, mas a nação quer detalhamentos mais concretos. Ao menos Lula está aprendendo a dialogar com os empresários, outrora considerados por ele como vilões. É certo que mudou o tom de seu discurso e não se crê que seja por oportunismo eleitoral, mas fruto de aprendizado e de um amadurecimento político.
O Brasil nunca experimentou um Presidente petista e pela voz das pesquisas há o indicativo de que deseja fazê-lo agora, eis que o candidato vem figurando em primeiro lugar desde o início da campanha. Mas Lula ainda precisa dizer como vai enfrentar outras situações, como a necessária adoção de uma política de desenvolvimento interno, que política adotará para a agricultura, como irá tratar a questão da abusiva taxa de juros bancários, que postura adotará ante a pressão dos organismos financeiros internacionais, como irá administrar as descomunais dívidas externa e interna e os volumosos juros que consomem, sabendo, ademais, que as contas internas terão, primordialmente, que ser pagas. Além disso, o pré-candidato terá pela frente duas extenuantes tarefas: transferir para as urnas a preferência manifestada nas pesquisas eleitorais, e se eleito vencer as barreiras que terá de enfrentar no Congresso Nacional.

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