Os caminhos do Siscomex
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Fernando Antônio Miranda 
No início do ano, a área de comércio exterior foi marcada pela implantação e a polêmica discussão das vantagens ou não desse novo Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Os jornais de todo o país deram ênfase à matéria em seus editoriais, publicaram entrevistas e divulgaram posições de entidades, como a AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) e a Associação Comercial do Paraná, que apóiam o Sistema, mas com as correções necessárias à operacionalização.
Em 1993, a implantação do Siscomex na exportação foi o passo inicial para o processo de modernização complementado agora com as importações. É importante dar a dimensão do Sistema. São 70 mil empresas de comércio exterior, 421 bancos, 381 postos de aduanas e cerca de 10 mil despachantes, cuja integração constitui uma rede ímpar pela sua amplitude e resultados. Através dos dados fornecidos pelo Siscomex, é possível controlar a balança comercial do mês e aplicar medidas corretivas de possíveis distorções - inclusive ao dumping e outras modalidades de comércio desleal. O sistema amplia o ângulo de visão, permitindo a adoção de uma política cambial, o aprimoramento dos processos de desburocratização e, o que é mais importante, o incentivo ao comércio exterior pela chamada administração de realidades. Poder visualizar no monitor os caminhos a serem seguidos, os produtos a serem estimulados, as correções de distorções, enfim, a verdade do nosso comércio exterior e de nossa economia ajuda a evitar crises e a alavancar políticas saudáveis, embora às vezes amargas.
Fazer comércio no escuro nunca mais.
No extremo oposto, a operacionalização constitui um grande problema: o acesso - via Embratel - é lento em razão do número insuficiente de linhas telefônicas e da baixa velocidade de comunicação de (inacreditáveis) 9.600 bps. A história tem mostrado que, em um primeiro momento, toda mudança gera alguma dose de ceticismo e resistência, que tendem a ceder após algumas adaptações. São os sacrifícios naturais, impostos pelos avanços da modernização. De imediato a Embratel precisará aparelhar-se de maneira a atender com eficiência aos usuários, ao mesmo tempo que os importadores deverão adequar-se à nova realidade, utilizando equipamentos compatíveis às exigências do sistema e fornecendo treinamento adequado aos funcionários. Quanto aos despachantes, estes estão assistindo a um redirecionamento de suas funções que deverá ser assimilado não pelos mesmos, como pelas aduanas e sua clientela: o importador. Feitas todas as contas o saldo é definitvamente positivo. Com o Siscomex todos ganham e colhem dividendos no bem irrecuperável e, por isso mesmo, o mais valioso de todos: o tempo.


