No final de semana, o PSDB do Paraná realizou o encontro ‘‘Campanha Eficiente’’, reunindo os militantes e coordenadores políticos das várias regiões do Estado. Além da participação da Executiva Regional e de inúmeros parlamentares, esteve presente o Senador Lúcio Alcântara, presidente nacional da Fundação Teotônio Vilella,já que este foi o lançamento de uma série de encontros semelhantes em todo o país. Dos debates e discussões podemos tirar algumas lições.
Em primeiro lugar, ficou claro que o PSDB do Paraná é, hoje, um partido consolidado, forte, coeso e estruturado quase que na totalidade dos municípios. Os três últimos anos deram-lhe um novo dinamismo : o partido cresceu, recebeu milhares de novos membros e, o que é fundamental, criou uma auto-imagem positiva e afirmativa. Deixou de ser um grupo fechado em si mesmo, hesitante com relação às sua próprias possibilidades, para ser um partido consciente de sua força e de sua importância. Nas últimas eleições, sua pujança ficou demonstrada nos expressivos resultados eleitorais obtidos, com relevo para o desempenho mais do que razoável em Curitiba. Além disso, uma bancada federal expressiva e atuante grangeou-lhe o respeito do PSDB nacional.
Diante desse panorama, é fundamental que o PSDB do Paraná assuma sua responsabilidade nacional e atue no sentido de contribuir eficazmente para o alargamento da base de apoio para a construção da social-democracia. O impacto do desaparecimento de Sérgio Motta, se trouxe tristeza e apreensão, deu nova força à posição que o ministro sempre defendeu : fortalecer o PSDB como um partido com projeto definido, ampliando sua base de sustentação, não apenas em torno de alianças eleitorais, mas fundamentalmente a partir de candidaturas próprias em todos os níveis. Como partido do Presidente da República, o PSDB não pode permanecer como o elo mais fraco de uma aliança, impedindo-se de dar conta dos compromissos assumidos em seu Manifesto-Programa. Isto implica que o PSDB do Paraná precisa dar novo passo adiante em sua consolidação, através da candidatura própria ao Governo do Estado.
Já a Executiva Regional, em dezembro de 1997, definiu que assim seria: o PSDB do Paraná lançaria candidato próprio, juntamente com uma chapa expressiva de candidatos aos parlamentos estadual e federal. Tal decisão não significa a impossibilidade, neste momento que precede a Convenção Estadual, de o PSDB abrir canais de comunicação e diálogo com outras forças políticas em busca de composição eleitoral, conquanto a partir de princípios estabelecidos. Não se trata, simplesmente, de buscar composição para ‘‘facilitar’’ a eleição, mas de estabelecer alianças com a finalidade de fazer vencer uma proposta de governo alternativa à que atualmente vem sendo implementada.
Hoje está mais do que claro que o PSDB do Paraná não concorda com o projeto político e administrativo do atual Governo, especialmente no âmbito da transparência, da moralidade e da eficácia. Por outro lado, o fortalecimento da campanha pela reeleição do Presidente FHC passa, necessariamente, por um empenho do PSDB estadual que só ocorrerá na medida em que estiver motivado por candidatura própria. A isto se acresce a lembrança de que o PFL tem uma agenda própria e independente para 2002.
Logo, é politicamente fundamental que o PSDB, como posição de princípio, lance candidato próprio ao Governo do Estado. Evidentemente, política não se faz como ato de voluntarismo dogmático. O nome mais evidente do PSDB, o ex-governador Alvaro Dias, tem adotado uma atitude prudencial de facilitação para o diálogo e a conversação com os demais partidos, partindo do pressuposto de que uma eventual aliança de oposição dever-se-ia realizar em torno do nome que, à época da definição, tenha maior densidade político-eleitoral, aferida através de instrumentos de confiabilidade aceitável. Tal atitude não confronta com a decisão de uma candidatura própria, mas não rejeita o realismo que deve nortear as decisões políticas, mormente quando afetam o futuro do Estado.
Não se veja, portanto, hesitação onde o que existe, de fato, é espaço para o diálogo. Não cabe ao PSDB assumir uma atitude de ‘‘vanguarda esclarecida’’ que, independentemente dos fatos, quer porque quer ficar à frente. Partidos que têm assumido essa postura estão notoriamente à margem da história, reduzindo seu potencial, eleição após eleição. O grande objetivo de um partido político é, sem dúvida, o poder ; mas este não pode ser pretendido ‘‘a todo custo’’. Sua busca deve estar balizada, de um lado, por claros critérios éticos (para não descambar no oportunismo leviano) e, de outro, por critérios estratégicos (que evitam o desgaste e a inconsequência).
Hoje, como ficou claro no Manifesto aprovado pela Executiva e apoiado por aclamação no encontro, o PSDB tem candidato e seu nome é Alvaro Dias. Esta é a vontade expressa da militância, sinal da comunhão partidária. Caberá, no entanto, à Convenção ratificá-la, na época própria.

mockup