Os caminhos do PSDB - Teofilo Bacha Filho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de abril de 1998
Teofilo Bacha Filho 
No final de semana, o PSDB do Paraná realizou o encontro Campanha Eficiente, reunindo os militantes e coordenadores políticos das várias regiões do Estado. Além da participação da Executiva Regional e de inúmeros parlamentares, esteve presente o Senador Lúcio Alcântara, presidente nacional da Fundação Teotônio Vilella,já que este foi o lançamento de uma série de encontros semelhantes em todo o país. Dos debates e discussões podemos tirar algumas lições.
Em primeiro lugar, ficou claro que o PSDB do Paraná é, hoje, um partido consolidado, forte, coeso e estruturado quase que na totalidade dos municípios. Os três últimos anos deram-lhe um novo dinamismo : o partido cresceu, recebeu milhares de novos membros e, o que é fundamental, criou uma auto-imagem positiva e afirmativa. Deixou de ser um grupo fechado em si mesmo, hesitante com relação às sua próprias possibilidades, para ser um partido consciente de sua força e de sua importância. Nas últimas eleições, sua pujança ficou demonstrada nos expressivos resultados eleitorais obtidos, com relevo para o desempenho mais do que razoável em Curitiba. Além disso, uma bancada federal expressiva e atuante grangeou-lhe o respeito do PSDB nacional.
Diante desse panorama, é fundamental que o PSDB do Paraná assuma sua responsabilidade nacional e atue no sentido de contribuir eficazmente para o alargamento da base de apoio para a construção da social-democracia. O impacto do desaparecimento de Sérgio Motta, se trouxe tristeza e apreensão, deu nova força à posição que o ministro sempre defendeu : fortalecer o PSDB como um partido com projeto definido, ampliando sua base de sustentação, não apenas em torno de alianças eleitorais, mas fundamentalmente a partir de candidaturas próprias em todos os níveis. Como partido do Presidente da República, o PSDB não pode permanecer como o elo mais fraco de uma aliança, impedindo-se de dar conta dos compromissos assumidos em seu Manifesto-Programa. Isto implica que o PSDB do Paraná precisa dar novo passo adiante em sua consolidação, através da candidatura própria ao Governo do Estado.
Já a Executiva Regional, em dezembro de 1997, definiu que assim seria: o PSDB do Paraná lançaria candidato próprio, juntamente com uma chapa expressiva de candidatos aos parlamentos estadual e federal. Tal decisão não significa a impossibilidade, neste momento que precede a Convenção Estadual, de o PSDB abrir canais de comunicação e diálogo com outras forças políticas em busca de composição eleitoral, conquanto a partir de princípios estabelecidos. Não se trata, simplesmente, de buscar composição para facilitar a eleição, mas de estabelecer alianças com a finalidade de fazer vencer uma proposta de governo alternativa à que atualmente vem sendo implementada.
Hoje está mais do que claro que o PSDB do Paraná não concorda com o projeto político e administrativo do atual Governo, especialmente no âmbito da transparência, da moralidade e da eficácia. Por outro lado, o fortalecimento da campanha pela reeleição do Presidente FHC passa, necessariamente, por um empenho do PSDB estadual que só ocorrerá na medida em que estiver motivado por candidatura própria. A isto se acresce a lembrança de que o PFL tem uma agenda própria e independente para 2002.
Logo, é politicamente fundamental que o PSDB, como posição de princípio, lance candidato próprio ao Governo do Estado. Evidentemente, política não se faz como ato de voluntarismo dogmático. O nome mais evidente do PSDB, o ex-governador Alvaro Dias, tem adotado uma atitude prudencial de facilitação para o diálogo e a conversação com os demais partidos, partindo do pressuposto de que uma eventual aliança de oposição dever-se-ia realizar em torno do nome que, à época da definição, tenha maior densidade político-eleitoral, aferida através de instrumentos de confiabilidade aceitável. Tal atitude não confronta com a decisão de uma candidatura própria, mas não rejeita o realismo que deve nortear as decisões políticas, mormente quando afetam o futuro do Estado.
Não se veja, portanto, hesitação onde o que existe, de fato, é espaço para o diálogo. Não cabe ao PSDB assumir uma atitude de vanguarda esclarecida que, independentemente dos fatos, quer porque quer ficar à frente. Partidos que têm assumido essa postura estão notoriamente à margem da história, reduzindo seu potencial, eleição após eleição. O grande objetivo de um partido político é, sem dúvida, o poder ; mas este não pode ser pretendido a todo custo. Sua busca deve estar balizada, de um lado, por claros critérios éticos (para não descambar no oportunismo leviano) e, de outro, por critérios estratégicos (que evitam o desgaste e a inconsequência).
Hoje, como ficou claro no Manifesto aprovado pela Executiva e apoiado por aclamação no encontro, o PSDB tem candidato e seu nome é Alvaro Dias. Esta é a vontade expressa da militância, sinal da comunhão partidária. Caberá, no entanto, à Convenção ratificá-la, na época própria.


