Os camelôs e a sociedade
A novela da mudança de local do camelódromo de Londrina merece uma discussão mais profunda. A sociedade assiste uma batalha que parece não ter fim. E mais uma vez, fica com os prejuízos.
Primeiro, a cidade perdeu um pedaço de calçada, depois um pedaço de rua na área central, para os ambulantes. Recentemente, desembolsou impostos para que a Prefeitura alocasse os camelôs em um prédio estruturado e com ótima localização. Quando tudo parecia estar se resolvendo da melhor forma, gritos desta comunidade soam contra o poder público.
Devemos lembrar, primeiro, que poucos nesta cidade contam com os benefícios públicos concedidos aos camelôs. Eles estão localizados em pontos estratégicos da região central da cidade, por onde circula um grande número de pessoas, não pagam aluguel e impostos. Contabilizam lucros e alguns chegam a revender produtos contrabandeados e pirateados, sob vista grossa da Polícia.
É preciso reconhecer que só praticam o comércio informal em virtude da falta de empregos e da dificuldade social do País. A maioria é formada por pessoas simples, responsáveis pela sobrevivência e bem-estar de suas famílias. Mesmo assim, são poucos diante do grande número de famílias que também passa por dificuldades em nossa cidade.
A solução do novo camelódromo para alocar os vendedores não atenderá a todos os necessitados. Apenas alguns continuarão a obter lucros, sob a benção da sociedade. Neste sentido, a Prefeitura e a população de Londrina não devem ser ainda mais paternalistas. A criação do shopping popular deveria ser um trampolim para os que querem prosperar e não um estabelecimento beneficente. Porque o risco que se corre é o de termos, em breve, novos camelôs pelas ruas da cidade, reivindicando os mesmos benefícios. Com direito a ar condicionado e som ambiente.
Mauricio Della Barba





