Os cafés especiais do Norte Pioneiro
A vocação paranaense para a produção de café nunca pereceu, mesmo depois da geada negra de 1975 que destruiu quase inteiramente os cafezais. Agora o Norte Pioneiro que produz 1 milhão de sacas anuais e é recordista no Paraná iniciou a produção também de café especial que levará a marca regional de Café do Norte Pioneiro do Paraná. Esse padrão foi lançado agora, na 1ªFeira Internacional de Café realizada em Jacarezinho.
Quem promove este movimento de qualidade é a Associação de Cafés Especiais do Norte do Paraná, criada em março deste ano e que já conta com 100 produtores associados. Por razão de características próprias altitude de 600 a 900 metros e temperatura entre 19 e 21 graus o Norte Pioneiro é o ponto ideal para a produção desses cafés finos que exigem manejo adequado. Isto se traduz por padronização de grão, tamanho e cor.
A primeira produção chegará ao mercado no ano que vem, e a meta é também exportar. Se o custo de cultivo será maior em 50%, também a obtenção de preço será correspondente. Muito importante é a idéia de uma marca de origem que sinalizará um produto de mais qualidade e restaurará a imagem do Paraná como referência em café, como foi no passado. Todo esse projeto de melhoria não se conclui nesta primeira fase, porque há etapas a serem cumpridas nos próximos cinco anos, como declara José Henrique Ferroni, de tradicional família de cafeicultores e vice-presidente daquela associação. E Fernando de Andrade Leite, presidente da entidade, fala com entusiasmo em resgatar a região do Norte Pioneiro como produtora de café especial. Um grande passo já está dado com a reunião nesse projeto da primeira centena de produtores. A homenagem a José Eduardo de Andrade Vieira e ao cafeicultor Luiz Marcos Suplicy Hafers, prestada durante a Feira, se deveu à contribuição de ambos para a evolução da cafeicultura. O primeiro, quando senador e ministro da Agricultura e a seguir da Indústria e Comércio.
É relevante essa cooperação mútua, que tem o compromisso de produzir de início 2% de café especial nas lavouras respectivas de cada um, subindo progressivamente para 5% até chegar a 10% em cinco safras.
Depois do desastre com aquela grande geada o Paraná voltaria, alguns anos depois, a produzir café adensado, em propriedades menores, e agora evolui para cotas de café de mais refinado tipo. É o ideal da cafeicultura que rebrotou e permanece vivo, mantendo uma produção anual de 2,5 milhões de sacas no Estado e a marca tradicional do Paraná nessa cultura.





