Se na convivência diária já é possível perceber que os transtornos de ansiedade estão presentes na vida de muitos brasileiros, estudo recente da OMS (Organização Mundial da Saúde) traz um dado que acende o alerta. Somos o País com o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno.

Apesar de o estudo não se aprofundar nas causas, a instabilidade econômica, a desigualdade social e a violência ajudam a agravar o problema, principalmente entre os que já apresentam tendência para o quadro. São fatores que geram preocupação entre os brasileiros, contribuindo para o aumento da ansiedade.

Em relação à depressão, o Brasil tem ainda a maior prevalência na América Latina e é o segundo com maior prevalência no continente americano.

A medicina vem evoluindo no tratamento dos distúrbios de ansiedade, mas ainda existe tabu em relação ao uso de medicamentos. Há três décadas os remédios eram mais pesados, como os barbitúricos. A partir de 1990, o surgimento da fluoxetina mudou o paradigma do tratamento da ansiedade. O medicamento aumenta os níveis de serotonina no cérebro, resultando em melhora dos sintomas.

Diferentemente da depressão, especialistas afirmam que não há protocolo para tratar a ansiedade. Há pessoas que vão conviver com o problema durante toda a vida, podendo controlá-lo ainda com auxílio da psicoterapia, meditação e atividade física.

Por outro lado, o excesso de medicação também preocupa. E a prevenção nem sempre é vista com a devida importância. Diante da escassez de recursos na área da saúde para tratar doenças infecciosas, cardiovasculares, degenerativas e tantas outras, a atenção à saúde mental fica comprometida.

É importante lembrar que os vários tipos de transtornos mentais prejudicam a qualidade de vida e afetam a capacidade produtiva das pessoas, sendo uma importante causa de afastamento do trabalho no País, em especial a depressão.

A depressão instalada, por exemplo, traz prejuízos sociais e financeiros. À saúde pública cabe não somente fornecer antidepressivos à população. Seria muito mais barato prevenir do que tratar o problema. E isso envolve edução, estímulo ao autoconhecimento, maior acesso ao atendimento de psicoterapia na rede pública e melhor qualidade de vida nas cidades.

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