Os bons e os maus exemplos dos atletas
Um ídolo como Ronaldo deixar-se envolver em escândalo é um péssimo exemplo para os milhões de jovens, em todo o mundo, e destacadamente no Brasil. Porque, quando adquirem fama pelos seus extraordinários feitos, essas figuras de grande admiração popular deixam de se pertencer e se transformam em cidadãos universais, de propriedade de todas as gentes. O Fenômeno, como os italianos passaram a denominá-lo, envolve-se agora em histórias com travestis e até com drogas, e isto gera desapontamento entre os admiradores, muitos dos quais os colocam no patamar dos deuses.
Fala-se que por isso poderá ser anulado o seu contrato com a marca esportiva que o patrocina. Sua noiva o deixou, em face do caso dos travestis. Acusado de não haver pagado aqueles companheiros de farra noturna, com quem fôra a um motel, ele acabou deixando o caso aflorar e pagando ainda mais caro o preço desse envolvimento. Os fãs se frustram com esse tipo de escândalo e outras práticas que empalidecem a moral de seus ídolos. Depois de haver desleixado o controle do peso fatal para um jogador de futebol e ser objeto de debochadas críticas na Europa, agora ele vem ao Brasil e mais uma vez permite a fragilização de sua imagem. Na Argentina, ocorreu de Maradona outro futebolista notável cair em desgraça por envolvimento com drogas. Os argentinos até hoje estão condoídos com isso.
Em contrapartida, por graça de sua formação, no Brasil o grande exemplo para o mundo foi Pelé. Um atleta completo em todos os sentidos e até hoje inigualado, acreditando-se que por muito tempo não aparecerá outro como ele, pela multiplicidade de seus atributos. Como o de chutar bem com os dois pés e ser o único jogador do mundo campeão de três Copas. Pelé era detentor segundo fisioterapeutas alemães de uma segunda impulsão depois que se erguia para cabecear, e isto o fazia subir mais, e muitas vezes fez gols por isso ou defendeu o gol possível dos adversários. Sabe-se de sua visão grande angular, que lhe permitia enxergar lateralmente com mais amplitude.
Nos vestiários, conforme Zico revelou certa ocasião, Pelé encobria o rosto com a toalha antes de cada jogo e fazia meditação, visualizando as jogadas e os gols que ele e sua equipe iriam fazer. O resultado de tudo isso é do conhecimento de todos. O grande jogador pertenceu a um único time (o Santos), embora seus anos de juventude futebolística no Noroeste de Bauru e posteriormente no Cosmos de Nova York. Pelé nunca teve vícios e não era racista, pelo fato segundo opiniões publicadas e ao contrário do que a maioria certamente supõe de ter se casado com mulheres brancas. E sua virtude maior, sem dúvida, era (como é) ser brasileiro!





