Os bolsões de pobreza do Brasil
Em 1900 o Brasil tinha 17 milhões e 400 mil habitantes, e hoje o número se aproxima dos 190 milhões (eram exatos 187.160.423 no final de setembro), prevendo-se que chegue ao ano 2020 registrando um crescimento de apenas 0,7% anuais, o que é uma boa perspectiva. Porque o porcentual foi bem mais alto. Com vasta produção de alimentos e larga extensão de terras férteis ainda por explorar, os números não acenam com problemas de alimentação nem de superlotação de espaço. Os habitantes das cidades são 81,2% e os restantes 18,8% estão na zona rural, em contraposição à situação de 50 anos atrás, quando o meio agrícola abrigava 64% da população. Se no Brasil não há grande preocupação quanto ao aumento populacional, a previsão para o mundo é sombria - conforme se mostrou ontem neste espaço - pois teme-se não ser possível atingir a meta de diminuir a fome pela metade nos próximos 25 anos, pelo cálculo da FAO, a organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação. Problemas sociais à parte - que dependem de políticas públicas e também de uma mudança de conceitos da sociedade - as possibilidades de melhoria dos padrões sociais do povo brasileiro são amplas. E não pela via do socorrismo assistencial - no momento necessário porque há muita gente vivendo em extrema miséria - mas a do desenvolvimento social. Da população de patrícios, 29 milhões são analfabetos, mas nas últimas décadas tem aumentado o porcentual de crianças nas escolas. Paralelamente, pelo benefício da medicina e do menor esforço no trabalho físico, a população de idosos cresceu, porque os velhos vão ficando cada vez mais velhos. Naturalmente que, viver mais, significa também viver com qualidade, ou não será viver mas apenas sobreviver. Já existem 31 milhões de idosos neste país. A população do Brasil não é distribuída igualmente, porque há excesso aqui e escassez ali. Neste último caso estão as áreas do cerrado, que envolvem cidades mas também grandes espaços inabitados, sem contar as elevações mais pronunciadas, os abismos, os areais e o árido nordeste, este possível de recuperação quando cessar a ''indústria da seca'', que tanto beneficia os políticos e os abastados feudos familiares da região. Não há portanto necessidade de derrubar a floresta amazônica para o cultivo e para a pecuária. No Brasil, se os acenos para o futuro são promissores, a renda do operariado veio caindo - e não foi diferente no Governo Lula, que cavalga num partido dito dos trabalhadores. Será necessário, de qualquer modo, adotar a prática da paternidade responsável nos bolsões de pobreza, onde é mais alta a taxa de reprodução. Nesses contingentes populacionais o Brasil se iguala aos recantos miseráveis da África e da Ásia, onde a fome crônica e as doenças geram nascimentos e mortes em grande proporção, mas os que sobrevivem têm igualmente um destino de subvida.





