Uma medida de grande alcance social é o decreto presidencial que autoriza as farmácias e venderem remédios fracionados. Isto beneficiará toda a população, mas sobretudo os pobres, porque em muitos casos a pessoa necessita de apenas meia dúzia de comprimidos para curar um mal, mas acaba tendo de levar 20, ou mais, desperdiçando dinheiro e medicamento. A venda picada também resulta em menos automedicação, porque se a 'cestinha' de remédios está cheia, há uma tendência de ingeri-los ao menor sintoma e sem critério. Esta medida do presidente Lula entra em vigor em março e é algo de efeito positivo e duradouro, porque depois de transformar-se em norma não terá retrocesso. Ademais propiciará economia popular, porque uma substancial fatia dos poucos ganhos sobretudo de pobres e aposentados é destinada ao remédio, sempre caro. Também a indústria farmacêutica passará a vender mais. O novo sistema, que se soma ao advento dos genéricos, certamente induzirá a indústria a intensificar o fornecimento de remédios a granel o que já acontece e eventualmente a produzir os líquidos também em recipientes menores. O ato do governo é um grande passo na direção de melhorar a qualidade da saúde, porque hoje muitos doentes deixam de comprar remédio, e sofrem com isso, pelo fato de ter de adquirir um pacote com mais unidades que o necessário, e falta o dinheiro. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já diligencia para as cautelas necessárias, como o fornecimento das bulas mesmo para pequenas quantidades de remédio e para que não haja fraudes. As farmácias precisarão ter farmacêutico presente em tempo integral. O Ministério da Saúde adverte que todas as farmácias terão um selo, que elas poderão perder se não cumprirem as exigências legais. O medicamento será retirado da embalagem primária, que é lacrada e, por isso, a fiscalização deverá ser intensificada. O comércio farmacêutico já aplaudiu a medida, considerada um avanço. Vê-se que resolver questões sociais não é uma tarefa fácil, em país de muitos pobres, carentes e doentes, mas é certo que com boa vontade se resolverá grandes problemas. É mediante simples mas sábias medidas como esta, que não envolvem aplicação de dinheiro, que se vai consertando as coisas tortas do sistema brasileiro. Fácil é fazer o mesmo em tantos outros setores, não só da vida pública mas também da vida privada. A mudança de certas leis, que só dependerão de exame, discussão e algumas assinaturas em papel, propiciaria revolucionários avanços, bastando decisão, simples como esta dos remédios. Parece que os legisladores não pensam no Brasil e receiam apresentar bons projetos, temendo talvez que não sejam aprovados. A autorização para fracionar a venda de remédios foi uma boa receita aviada pelo presidente Lula.

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