Os benefícios do plantio direto
Solo outrora pobre e improdutivo se transformou em exemplo de produtividade e sustentabilidade, graças à implantação do sistema de plantio direto. Isto aconteceu com grande intensidade em Mauá da Serra, na região norte do Paraná, a partir de 1974, depois de experimentos pioneiros feitos em Rolândia pelo agricultor Herbert Bartz. Estudos já haviam sido feitos em Ponta Grossa, mas foi Bartz o impulsionador desse revolucionário processo, que além de tantas outras vantagens acabou com o fantasma da erosão, que era um dos flagelos da terra.
Sexta-feira, durante solenidade pública que reuniu produtores e técnicos, a comunidade rural de Mauá da Serra comemorou os 30 anos de sucesso progressivo do que passou a denominar-se plantio direto na palha. Essa história é rica em detalhes, com lembranças vivas das muitas dificuldades encontradas no início, pois vastas áreas estavam afundadas nos canyons da erosão. Foi a colônia japonesa que promoveu ali a grande revolução, depois de ir buscar ensinamentos junto ao idealista Herbert Bartz, que é considerado o pai do plantio direto e que durante três décadas vem difundindo o sistema em todo o Brasil.
Mauá, região de elevada altitude e que só tinha terras desgastadas pela monocultura e pelo contínuo cultivo em sistema convencional, é hoje referência nacional em recuperação de solo e preservação ambiental, com o conseqüente aumento de produtividade e renda financeira. Áreas em declive e na época baratas, atrairam sobretudo japoneses sem terra, dispostos a trabalhar e obter ganhos pelo próprio esforço. A par do trabalho desses empreendedores, a indústria do ramo produziu máquinas e implementos adequados e a tecnologia agronômica também se fez presente.
Já no início dos anos 70, o Banco Bamerindus foi o primeiro estabelecimento de crédito a bancar uma campanha contra a erosão. Anos mais tarde, com José Eduardo Andrade Vieira à frente, o Ministério da Agricultura dava continuidade à investida para a preservação e a fertilidade do solo. O resultado dessa soma de esforços tem um exemplo em Mauá da Serra. E serve de modelo para aqueles que, dispostos a extrair da terra o que ela tem para dar, podem eliminar dela sapés e samambaias, aplicar tecnologias como a do plantio direto e fazê-la produzir em abundância, como aconteceu nessa região semi-serrana a 70 quilômetros de Londrina.
Sem invasões e depredações criminosas, sem a sanha de apropriar-se do alheio, espetáculo de crescimento e de engrandecimento do trabalho e da dedicação, como o proporcionado por esses empreendedores pioneiros e respeitadores da terra, é que pode ser realmente qualificado como benção de Deus.





