Se a desculpa da modelo internacional Gisele Bundchen de que é humana serve para justificar um arroto frente às câmeras de televisão do mundo inteiro, achei que também seria suficiente diante da minha total falta de assunto nessa semana. Fiquei o sábado e o domingo pensando sobre o que escrever e concluí que nada de novo aconteceu em nossa cidade nos últimos dias. Os assuntos são todos velhos. Ainda continuamos falando de Belinatis, no plural, de Janenes, pois este envolveu toda a família nos múltiplos escândalos e sem esquecer o tal Frigozé, que pensei já estar sepultado e ressurgiu como Fênix das cinzas. Realmente a cidade está parada, à espera do Nedson e sua equipe assumirem a Prefeitura Municipal e resolverem todos os problemas dessa herança maldita que lhes deixaram.
O prefeito eleito já começou a mostrar sua disposição para o trabalho, sem sequer aguardar o rompimento do novo século, mesmo porque o simples fato de ‘‘topar a parada’’ candidatando-se ao cargo já foi suficiente para demonstrar seu amor pela causa e sua vontade de trabalhar. De sua equipe não há por que não admitir que estará impregnada do mesmo estilo e filosofia de trabalho, mesmo porque aqueles que não puderem dar a resposta esperada certamente serão substituídos no decorrer da jornada.
As medidas que deverão ser anunciadas terão que ser voltadas para uma drástica redução dos gastos, incluindo-se a economia de energia elétrica e de material de expediente, que embora possam parecer ridículas e ineficazes a alguns, não o são, pois têm o mérito de contribuir para a criação de um clima de austeridade e de um modo de vida mais espartano, suprimindo-se os desperdícios de que a administração pública é useira e vezeira, com exemplos que estão aí diariamente, como os enormes e descabidos gastos com a inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Recentemente escrevi ‘‘Londrina em economia de guerra’’, artigos nos quais sugeria a receita para o município equilibrar suas finanças. É preciso que se cortem urgentemente os gastos desnecessários e que aos órgãos da administração municipal sejam atribuídas metas de redução desses gastos a fim de que todos se comprometam com o objetivo comum de recuperação financeira, sob risco de não termos como pagar as próximas folhas de pagamento que rapidamente se aproximam.
As empresas multinacionais que todos sabem muito bem como criticar, mas das quais se deve copiar o que têm de bom, são especialistas em agir com rapidez diante de circunstâncias desfavoráveis ao seu caixa, e com medidas eficazes no sentido de equilibrar suas finanças e continuar investindo naquilo que é necessário para a continuidade dos negócios.
É bastante comum atribuir-se às multinacionais uma vantagem competitiva advinda de seu poderio financeiro. No entanto, é preciso deixar claro que esse poderio financeiro é somente um dos aspectos que garantem seu sucesso. Mesmo dentro da área financeira não é o volume de recursos que determina a liderança das multinacionais frente à média das empresas nacionais. Mais do que isso, seu diferencial é a boa administração do departamento financeiro.
A Prefeitura de Londrina tem que estar ciente que seu setor financeiro deve ter ampliação de sua atuação, passando a participar intensamente das ações e determinações estratégicas e a subsidiar a tomada de decisão do prefeito com dados atualizados e confiáveis, afinal, uma resolução sempre será tão boa quanto as informações nas quais for baseada.
Finalmente, acho que o artigo até não ficou ruim para um escritor que infelizmente se encontrava sem assunto num fim de noite. Desculpem-me, mas sou humano!
- RICARDO PROCHET é administrador de empresas, professor universitário e consultor de empresas em Londrina
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