Os antiarmas ensandeceram - Luiz Afonso S.P. Santos
Luiz Afonso S.P. Santos
As organizações neogovernamentais imaginavam que iriam chegar em Brasília com suas estatísticas e argumentos falaciosos e, em conjunto com uma violenta pressão do governo e da propaganda, direta ou subliminar, da Rede Globo sobre os senadores e a opinião pública, iriam desarmar totalmente nosso povo. Mas a exemplo do que ocorreu na Câmara, os senadores passaram a estudar racionalmente o assunto e formou-se uma forte opinião contrária à proibição, inclusive a do senador Pedro Piva (PSDB), um dos relatores.
Inconstitucionalidades do projeto de lei a parte, há um razoável número de senadores que não pretendem entregar a população indefesa à ação criminosa, e já que não podem ajudar, resolvendo o problema da criminalidade, pelo menos decidiram não atrapalhar.
Outro dia, a paraestatal TV Cultura de São Paulo, montou um debate sobre a proibição, entre dois antiarmas, um espetáculo propagandístico grotesco que não convenceu ninguém, já que todos os e-mails dos espectadores lidos durante a amigável tertúlia, foram contra a proibição. O senador Arruda repetiu um puído argumento que é um primor: disse que temos de proibir as armas, pois o cidadão de bem não é confiável, já que o assassino do shopping, até cometer o crime poderia comprar uma arma legalmente, uma vez que não fora preso anteriormente. É como se propuséssemos fechar o Congresso devido a dois deputados terem sido cassados por serem criminosos. Que se espalhe a suspeita indiscriminada entre os brasileiros!
No front estatístico, o sociólogo Sérgio Cano, de uma seita fanática antiarmas carioca, apresenta um estudo risível, comprovando que 25% das armas usadas em crimes foram legais algum dia. E apresenta o óbvio como se houvessem descoberto a pólvora. Ora, nacionais ou estrangeiras, algum dia todas as armas foram legais, aqui ou no país de origem. São roubados anualmente mais de 300 mil autos no País, e muitas ações delituosas são praticadas com eles, o mesmo se dá com motos, telefones celulares, papel moeda e todos os demais meios necessários, incluindo aí prosaicas bicicletas, para a preparação e execução de um crime qualquer. A arma não é exceção.
Mas o melhor foram as conclusões da pesquisa dos dois agentes da ONU, Túlio Kahn e Sérgio Vilhena. Os dois são membros de um órgão da ONU que atua em território nacional, o Ilanud, tendo uma inexplicável visibilidade na imprensa. Numa clara demonstração do desespero diante da derrota anunciada, os dois chegaram divulgaram que as dezenas de milhares de criminosos em atividade em São Paulo, apenas praticam homicídios durante suas atividades profissionais e no restante do tempo são cidadãos exemplares. O estudo do Ilanud isolou as mortes em latrocínios, chacinas e confrontos armados com mortes de policiais e bandidos, o que representa 12% dos homicídios, e debitou os restantes 88% ao cidadão comum, eufemismo para cidadão de bem.
As quadrilhas de matadores da periferia, sabidamente responsáveis por milhares de homicídios, os viciados em drogas assassinados por inadimplência com os traficantes, as mortes individuais de bandidos em tiroteios entre quadrilhas, as mulheres estupradas e mortas, os homicídios por desavenças pessoais, praticados por bandidos que infestam as favelas e aterrorizam sua população honesta, seriam pela conclusão dos pesquisadores apenas uma ficção policial. Ensandeceram de vez ou não?
A se acreditar nos dois, os criminosos que pululam pelas cidades, praticando toda a sorte de atrocidades, no momento que terminam o expediente, guardam suas armas e escondem-se em casa assustados, com medo do cidadão comum, este sim violento e homicida. As estimativas honestas sobre o assunto indicam que a imensa maioria dos delitos, incluindo-se os homicídios, são praticados por criminosos reincidentes e contumazes.
As duras restrições para a posse e para o porte de armas para o cidadão habilitado já são atualmente um importante fator de incremento da criminalidade, como demonstra o aumento de crimes em São Paulo. Aumentá-las será um erro estratégico de graves consequências.





