Os anos que fazemos bons
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de janeiro de 2004
Walmor Macarini 
Os anos não encerram em si nem virtudes e nem desgraças. Cada um de nós é que faz um ano bom ou um ano ruim. Se as coisas não andam bem, é porque nós não andamos bem. Nem as denominadas fatalidades são produto do acaso, mas resultado das vibrações do inconsciente das massas. Somos os agentes de todas as coisas que nos ocorrem e as que ocorrem ao nosso redor.
Costumamos dizer que não quisemos a calamidade que esteja acontecendo em determinado ponto do mundo, ou próximo de nós. Com toda certeza isto é verdade, mas é também certo que, descuidadamente, temos lançado, em nosso dia-a-dia, sementes de discórdia, ódio, rancor, inveja, maledicência, e isto vai se somando às emanações idênticas das demais mentes. A explosão acaba então ocorrendo em algum lugar, geralmente o que está mais fragilizado e, portanto, receptivo.
Quando engordamos com nossa audiência os programas violentos e negativos dos veículos de comunicação, estamos cooperando para a semeadura de mais violência. É certo que a maioria dos delinquentes eles, de sua vez, algozes e também vítimas dessa corrente nefasta apreciam aparecer nos programas policiais da mídia eletrônica e nas fotos dos jornais, porque vêem consagrados os seus feitos. Há entre eles também uma disputa por rankings de eficiência, prestígio e popularidade.
Se, ao invés de nos debruçarmos na busca de solução inteligente e sábia para o problema da violência, em todos as suas variáveis, nutrimos sentimentos de vingança contra os chamados homens maus do mundo, nos igualamos a eles e estamos robustecendo a corrente de ira, que irá se cristalizando na atmosfera e acabará desabando a qualquer momento.
É certo que não policiamos nossos sentimentos, palavras e ações, e ignoramos o poder que eles representam. Einstein deixou dito que as mentes da humanidade fariam explodir o sol, se a um só tempo se unissem com tal propósito. O bem ou o mal que nos envolvem são produto da mente coletiva.
Embora, no mundo, tanta gente esteja fazendo mais coisas boas do que ruins, é certo que essas pessoas que somos todos nós negligenciam com suas emanações de pensamentos/sentimentos e suas palavras, que têm um vigoroso poder criador.
Neste novo ano que começa, podemos continuar cuidando de nosso progresso profissional e financeiro, do zelo para com nosso corpo físico e nossa aparência pessoal, mas podemos também dedicar os primeiros momentos do dia para planejar os bons sentimentos que iremos emitir, as boas palavras, as boas idéias, abominado o que for de efeito negativo. E veremos como 2004 será um ano bom.
WALMOR MACARINI é jornalista
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