Os anos bons das grandes colheitas
É sempre entusiasmante a informação de que safras paranaenses crescem de volume, como acontecerá nas de agora da soja e do milho. Depois de períodos recentes de vacas magras, em decorrência de secas e a seguir o ''affaire'' da febre aftosa bovina, há um clima de otimismo no Paraná, ante a previsão (baseada em levantamento do Rally da Safra) de uma colheita recorde de 11,9 milhões de toneladas de soja e de 8,1 milhões de toneladas de milho, mais 4,4 milhões do milho da safrinha. Serão necessárias mais duas safras como esta para recuperar prejuízos anteriores, mas o momento é de euforia.
A suficiência de chuvas, o controle adequado de pragas e a tecnologia resultaram em mais produtividade. No caso da soja a média foi de 50 sacas/hectare, mas em Rolândia houve um recorde de 65 sacas/ha. O milho, em face da maior oferta, sofreu queda de preço mas a média continua elevada. No período, os produtores de soja tiveram de enfrentar a praga da ferrugem, exigindo três aplicações de fungicidas, o que encareceu o custo de produção. Mas no geral a região norte superou a média estadual de produtividade. Estas conquistas são a imagem do Brasil que dá certo e que consegue superar os inconvenientes que envolvem o setor, sobretudo as políticas governamentais, não muito amigas do homem do campo.
A capacidade do produtor rural de recuperar-se, depois de frustrações com safras, não é porque isto seja fácil mas porque ele é persistente, tem um forte vínculo com a terra e também porque não lhe sobram muitas opções de ganho em outra atividade. Não apenas nos momentos de crise mas também quando se anunciam boas colheitas, como agora, o Governo deve atentar para a importância dos negócios do campo, tanto o de escala quanto o dos pequenos produtores. Porque nos anos de queda de produção, por fatores climáticos - como seca ou chuva demais, vendavais e invasão de pragas - ou epidemias que atacam a pecuária, os golpes na estabilidade econômica do homem da roça são profundos. A perseverança e a esperança de recuperação é transferida para a safra seguinte, e assim continuamente.
Na atividade rural não há certezas e não acontecem milagres. E, no entanto, ela é a única que não pode sofrer abalos ou sucumbir, porque isto significará também o caos das populações urbanas. Anos de grande produção devem ser saudados não apenas pelos que desfrutam diretamente dos lucros da terra mas por toda a população consumidora e pelos países importadores de alimentos. Porque isto significará abastecimento garantido, alimento à mesa, bem-estar social e giro de negócios.
NOTA - A opinião de ontem deste Editorial fica anulada, porque partiu equivocadamente de uma dimensão de 1,5 mil quilômetros para o muro na fronteira Brasil-Paraguai, quando o correto é apenas 1.500 metros.





