Os angustiantes problemas da saúde pública
A edição de ontem deste Jornal, em quase todas as páginas da Folha Cidades, mostrou o angustiante problema da saúde pública, em Londrina e outras cidades da região. Um caso sempre problemático é o do Hospital Universitário, que, pela superlotação, tem de atender pacientes até nos corredores. As equipes de atendimento se desdobram mas o número de doentes (oriundos não só de Londrina mas também de outras cidades, algumas distantes) às vezes dobra e faltam leitos. A reportagem divulga que houve dias com 66 pacientes esperando acomodação nas 38 camas existentes. Há casos em que o doente tem de aguardar na ambulância, até que se decida para onde levá-lo.
Uma mulher com fratura no fêmur esperou meia hora com dor intensa, porque não havia lugar no HU e os médicos ortopedistas do Hospital Evangélico e da Santa Casa não estão atendendo a pacientes do Sistema Único de Saúde. Doentes em estado grave chegam ao HU (que é o hospital-escola da Universidade Estadual de Londrina) e ficam esperando horas para serem atendidos na Unidade de Terapia Intensiva. Porque tudo funciona nos limites da estrutura física e humana. Há pacientes que ficam dias nas macas dos corredores, porque os leitos são insuficientes. O drama remete para dois problemas: o grande número de doentes pobres, vítimas da miséria social imperante no Brasil, país que já ganhou o epíteto de ser ''um grande hospital''; e a insuficiência da infra-estrutura instalada e de médicos, embora o enorme volume de profissionais dessa área que se formam todos os anos, muitos deles nas universidades públicas, que são mantidas pelos impostos do povo.
Outro ponto dramático em Londrina é o Pronto Atendimento Municipal (que de pronto atendimento tem pouco), onde os pacientes, em grande parte idosos, têm de aguardar às vezes até 8 horas, sentados na recepção. Alguns esperam de pé, porque a sala fica lotada. Ali também há poucos médicos, porque o poder público não provê o número deles com a suficiência necessária. É muita dor e sofrimento, por culpa não dos atendentes, que fazem o que podem, mas da escassez de muita coisa, porque os olhos dos governantes (municipais, estaduais e federais) ainda não alcançaram a visão profunda do problema.
E também ontem a FOLHA mostrou em destaque que Londrina já apresenta cinco casos de dengue com complicação e que há uma suspeita de dengue hemorrágica. O caso da dengue é um problema de responsabilidade também dos cidadãos, aparentemente ainda não conscientizados de que precisam cooperar para evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença. Num ferro-velho, equipes de vigilância encontraram focos do mosquito porque os proprietários são negligentes. E na continuidade do noticiário sinistro, uma manchete diz que o município de Lunardeli, na região norte, tem vivido um surto de hepatite A. Com apenas 6 mil habitantes, a localidade já tem registradas 38 notificações da moléstia. Problemas e mais problemas. As ''fraturas'' da saúde pública estão expostas, e não são de hoje. Isto demonstra que o problema não vem recebendo dos governantes a atenção devida.





