Os alimentos contaminados por agrotóxicos
A tecnologia de combate às pragas na agricultura precisa encontrar fórmulas de evitar a exagerada infestação de hortaliças por agrotóxicos, e esta é também uma responsabilidade do produtor. Porque esses venenos podem gerar doenças graves no organismo humano - o câncer principalmente. Atender à produção de alimentos, de acordo com as exigências do mercado, é uma das razões do incentivo ao desenvolvimento agrícola e ao aumento da produtividade - que representam mais lucro para o hortifrutigranjeiro - mas que isso não cause um risco paralelo à saúde humana, cujo ônus em sofrimento e em custo social é elevado.
Ontem os jornais publicaram uma preocupante lista da Agência Nacional de Vigilância Sanitária revelando que certos produtos de grande consumo tiveram aumento na concentração de agrotóxicos, e acima do que é tolerado. E além disso foram usadas substâncias que não estão autorizadas para determinadas culturas. Esses dados, levantados pela Agência em parceria com as Secretarias de Saúde dos Estados, mostraram índices insatisfatórios em vários produtos, destacadamente o tomate, que é o campeão de contaminação. Os demais são alface, morango, banana, mamão, cenoura e laranja. A pesquisa constatou a presença, no tomate, do monocrotofós, que é uma substância proibida desde 2006 por causa de sua alta toxidade. Estranha que esse componente é aceito no tomate para uso industrial, porque a industrialização não elimina a presença desse agente venenoso. No morango e na alface foi detectado o metamidofós, outro perigoso ingrediente utilizado contra as pragas.
O Ministério da Saúde, por via de sua Agência, é que faz esses levantamentos, mas no caso dos produtos das hortas e lavouras a incumbência de conter o uso exagerado de agrotóxicos é do Ministério da Agricultura. Cabe-lhe, portanto, desencadear ações para evitar isso. A denúncia não pára aí, porque a vigilância sanitária está atenta também ao arroz e ao feijão - que compõem o prato básico da maioria dos brasileiros - à cebola, ao pimentão, ao abacaxi, à uva e à manga.
As autoridades da área precisam agir e os consumidores não podem ficar indiferentes e dizer - como se ouve com frequência - que se forem deixar de consumir alimentos contaminados não podem comprar mais nada. A revelação da Agência de Vigilância Sanitária é gravíssima e tem a ver com a saúde das pessoas. Não é uma questão para gracejos irresponsáveis.





