Os alertas estavam dados
Gustavo Ximenez questiona decisões da gestão municipal diante de alertas sobre despesas, transporte coletivo e perda de arrecadação
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terça-feira, 20 de outubro de 2026
Gustavo Ximenez questiona decisões da gestão municipal diante de alertas sobre despesas, transporte coletivo e perda de arrecadação
Gustavo Ximenez 
A crise financeira de Londrina não surgiu de repente. Antes de anunciar um desequilíbrio projetado de R$ 205 milhões e destacar o transporte coletivo como responsável, a Prefeitura já conhecia despesas descobertas e riscos de perda de receita.
Em outubro de 2025, durante a discussão do orçamento de 2026, a própria administração anunciou R$ 118 milhões para o transporte e uma diferença de R$ 72 milhões ainda a equacionar. O exercício começou com uma insuficiência conhecida.
Também havia alerta sobre o IPVA. A redução da alíquota estadual, de 3,5% para 1,9%, era conhecida na elaboração do orçamento. O Observatório de Gestão Pública de Londrina estimou perda de R$ 89,9 milhões para o município, com base na arrecadação de 2024. Era uma estimativa, mas um sinal explícito de risco.
Houve, contudo, escolhas de ampliar despesas. Ainda antes da posse, Tiago Amaral solicitou aumento da remuneração dos secretários e do vice-prefeito. Para os secretários, o valor passou de aproximadamente R$ 14,4 mil para R$ 21,9 mil em 2025: cerca de 52%. A justificativa era atrair profissionais qualificados.
Esse reajuste não explica sozinho o desequilíbrio. Mas exige uma contrapartida: capacidade de antecipar problemas, planejar respostas e demonstrar resultados. Se os riscos estavam identificados, por que a equipe tão valorizada não conseguiu equacioná-los?
Segundo a Prefeitura, os R$ 205 milhões projetados resultam de R$ 81 milhões remanescentes de 2025 e R$ 124 milhões de frustração esperada de receitas em 2026. Uma parcela veio do exercício anterior e a outra deveria ser acompanhada durante o ano. Em fevereiro, porém, a comunicação oficial destacou equilíbrio nas contas de 2025.
O transporte merece fiscalização rigorosa. Mas a gestão também precisa responder por suas prioridades. Conheceu os riscos, escolheu ampliar despesas e agora apresenta a crise como emergência. Tratar como surpresa o que já estava no horizonte desloca a atenção das decisões que antecederam os cortes.
Se espera, agora, que antes de pedir sacrifícios à população, a Prefeitura explique o porquê de os alertas não receberem uma resposta à altura.
Por Gustavo Ximenez, economista, voluntário do Observatório de Gestão Pública de Londrina


