Os abutres da educação
A denúncia feita por este jornal na última sexta-feira Escolas públicas falham na comunicação de faltas é da maior gravidade. O problema requer uma ação imediata do governo por expôr, em primeiro lugar, a irresponsabilidade de agentes da educação (professores, diretores e inspetores) e, por extensão, a cumplicidade dos pais.
A denúncia da FOLHA inclui desleixo semelhante no ensino superior (ver reportagem no Caderno Cidades). Há um flagrante descaso com relação às freqüências de alunos e professores.
A qualquer hora, basta andar pelos corredores dos diversos centros para encontrar alunos vagando fora das salas nas mais diversas atividades, não necessariamente acadêmicas: namorando, falando ao telefone celular, com os ouvidos colados em MP3, indo e voltando da sala de xerox, da biblioteca, da lanchonete...
As conseqüências têm muitos desdobramentos. Essa falta de profissionalismo e ética justifica, em parte, o fracasso dos jovens em vários setores de atividade. Transparece na escassez de mão-de-obra especializada e, em algumas cidades, também explica o alto índice de reprovação dos exames da OAB, por exemplo.
Pode-se debitar à falta de qualidade do ensino outros entraves. A dificuldade no primeiro emprego, seria outro exemplo. Afinal, é comum ouvir-se que determinada empresa não está conseguindo mão-de-obra especializada. Às vezes não tão exigente; a qualificação é que fica a desejar.
Há algo ainda mais grave do que a falta de compromisso cívico e profissional de alguns professores e seus superiores. É que, entre as justificativas mais apontadas pelos estudantes para abandonar a escola estão a falta de interesse, problemas dentro da escola, brigas e ameaças de outros colegas.
O futuro de uma Nação não pode depender do faz de conta reinante em que professores fingem que dão aula, alunos fingem que aprendem e o diretor finge que está tudo certo. Omissas, as autoridades não cobram nada. Também fingem. Não se pode generalizar, há boas escolas. Na verdade resistem bravamente ao vírus da ergofobia, da falta de compromisso. Mas, se há boas escolas, não é difícil, convenhamos, constatar esse quadro triste nas escolas do Paraná e do Brasil.
Todos nós deveríamos refletir sobre o assunto.





