A história da Associação Comercial e Industrial de Londrina se confunde com a história da própria cidade, porque ambas têm quase a mesma idade. Em 1934 - poucos anos depois que chegaram os primeiros colonizadores - Londrina emancipava-se como município e apenas 3 anos depois fundava-se aquela entidade, por obra de alguns arrojados comerciantes. Antes que as indústrias chegassem, a denominação era apenas Associação Comercial, mas depois uma nova modalidade de sócios foi se incorporando. Os idealizadores dessa entidade, nos idos de 1937, foram João Alfredo de Menezes e Pedro Chocair, que ''numa hora de folga'' - como está escrito na história - tiveram a idéia de fundar uma associação que não congregasse apenas os comerciantes mas todas as pessoas expressivas do lugar.
Neste 5 de junho a entidade celebra 70 anos. E então se rememora os seus grandes feitos, sob o comando do primeiro presidente, o comerciante David Dequech, que dirigiu a entidade por vários mandatos e, mais tarde, veria serem eleitos para a presidência também seu filho e depois seu neto. Com mentalidade trazida do berço dos mercadores, as Arábias, Dequech implantou na Associação Comercial o postulado de que a entidade precisava proteger tanto o comerciante quanto o freguês, consciente de que ambos necessitavam-se. Criada a associação, faltava uma sede própria, e esta foi inaugurada 7 anos depois, na rua Minas Gerais. Era então o edifício mais bonito da cidade. No topo, foi colocado um relógio e mais acima a estátua de Mercúrio, deus do comércio.
A entidade capitaneava todas as campanhas reivindicatórias do nascente município, e a primeira delas foi por melhores condições de transporte para a produção agrícola e madeireira. Porque faltavam vagões suficientes para tanta carga e o transporte ferroviário era o predominante. Foi também por via da entidade que Londrina ganhou sua primeira usina de força e luz. Outras participações ativas da associação foram para a implantação da coletoria de rendas, a Santa Casa, o campo de aviação, o Colégio Marista, o Grupo Escolar Hugo Simas, o Tiro de Guerra e os serviços de água e telefonia.
Foi do pleito apresentado em reunião-jantar da entidade, com a presença do interventor Manoel Ribas (o governante do Estado), que resultou a abertura da Estrada do Cerne, ligando o Norte do Paraná às proximidades de Ponta Grossa. Na mesma noite foi solicitada a construção de uma ponte (que depois seriam duas, a rodoviária e ferroviária) sobre o rio Tibagi, e tal foi conseguido. Já naquele tempo os fazendeiros e comerciantes protestavam contra os altos impostos, e isto irritava o interventor. A Associação engajava-se nesse protesto. No todo ou em parte, as conquistas eram alcançadas.
A entidade também comandou protestos contra o Código Tributário Municipal, contra o elevado IPTU e a excessiva carga tributária no geral. As lideranças em Londrina, no futuro, iriam obviamente se dividir em várias associações classistas, mas a marca da atuação Associação Comercial e Industrial é forte e indelével na história de Londrina. Em 1973 o deputado estadual e então presidente da Associação Comercial, Olavo Garcia Ferreira da Silva, demoliu o velho prédio e construiu a sede atual, um edifício de 19 andares e um auditório.

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