Às vésperas de abrir-se em Londrina a Exposição de 2008 da Sociedade Rural do Paraná, é oportuno exaltar o cinquentenário do Colégio Agrícola Manoel Ribas, de Apucarana (que transcorre amanhã), e que foi tema de reportagem deste Jornal. Esta é uma valiosa estrutura de ensino adequada às necessidades regionais, que foi criada como alternativa de estudo para os filhos de produtores rurais e que nesses 50 anos formou centenas de profissionais em técnicas básicas de agricultura e pecuária. A menção à mostra rural é porque ambos os eventos são simultâneos e pertinentes à atividade agropecuária, predominante na região e por extensão em todo o Paraná.
Esses eventos, assim como a escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Ibiporã e os demais cursos formadores de técnicos agrícolas, agrônomos, veterinários e pesquisadores, o Instituto Agronômico, a Embrapa, compõem o suporte do profissionalismo na produção rural e nos demais negócios vinculados à terra, hoje de elevado padrão no Paraná. A mostra agropecuária e industrial começa dia 3 e a celebração de Apucarana irá de amanhã até dia 5, inclusive com a presença de alunos das primeiras horas e de muitos que estudaram ali no decorrer destas cinco décadas. O Colégio Agrícola tem hoje 380 alunos (meninos e meninas, de 14 a 17 anos), que fazem o curso integrado do ensino médio com o profissionalizante. Os estudantes do sexo masculino são internos. Todos estudam em período integral, dispondo de 40 alqueires de terra para os experimentos da atividade rural, de laboratórios e maquinaria agrícola. Há ali alunos que procedem de 80 municípios do Paraná e também de outros Estados.
Pela coincidência da comemoração, em junho, dos 100 anos da imigração japonesa, há que mencionar que esse colégio foi criado pela comunidade de imigrantes japoneses de Apucarana. Foi uma forma de dar ensinamento aos seus descendentes e também aos de outras etnias, até pela ausência na época de universidades regionais e outros cursos de formação de mão-de-obra. A semente então plantada veio gerando frutos, havendo hoje no currículo da escola também o ensino técnico de meio ambiente e de turismo regional. Vinculado agora à Secretaria de Educação do Estado, o colégio fornece todos os cursos gratuitamente, o que favorece sobretudo os filhos de agricultores de baixos recursos.
É auspicioso saber-se, conforme levantamento da escola, que de todos os alunos formados nestes tantos anos, metade conseguiu emprego, uns 20% foram trabalhar com a família e os restantes continuaram estudos neste e noutros campos e estão todos trabalhando. Assim como ocorre também com outros estabelecimentos do gênero, empresas buscam ali os profissionais que necessitam. A repórter Silvana Leão ouviu de alunos que o colégio ''é como uma grande família'' e constatou, pela palavra de vários dos que estão prestes a se formar, que estes (o período do curso) foram os três melhores anos de suas vidas.

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