Planejar é preciso. Não foi à toa que a nossa Curitiba conseguiu projeção nacional e internacional nas soluções para os problemas urbanos. Soluções às vezes muito simples, porém eficazes. O segredo, se há segredo, é um só: o olhar para o futuro, com os pés no presente, dos técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Ao completar 35 anos, o Ippuc vive um momento de reflexão e, principalmente, o início de uma profunda transformação. A maturidade, que trouxe um significativo arcabouço técnico – e uma enorme responsabilidade – também produziu uma certa cristalização que, agora deve ser corrigida.
É preciso oxigenar a instituição, investir em novos talentos e, principalmente, restituir plenamente seu papel de agente de antecipação de soluções urbanas. Criar uma estrutura que seja mais ágil e dinâmica, que possa remunerar melhor seus técnicos e, principalmente, dar-lhes mais tempo para ver, ouvir e pensar a metrópole. Aplicar, enfim, o mesmo poder criador que sempre caracterizou a instituição para adequá-la à dinâmica dos novos tempos.
Mesmo observando esta necessidade, porém, não há que negar o papel fundamental desempenhado pelo Ippuc nos últimos quatro anos. Mantendo sua característica essencial – de pensar o desenvolvimento da urbe tendo no ser humano a medida e a razão de tudo – o instituto ingressou com muito mais força no processo decisório da cidade e da Região Metropolitana.
Deu início, por exemplo, à instalação do Linha do Emprego, o maior programa de geração de emprego e renda da história de Curitiba, que está consolidando o desenvolvimento de 18 bairros em um eixo de 34 quilômetros entre as regiões leste-sul. Coordenou, junto com o governo do Estado, a nova fase de industrialização da Região Metropolitana, que permitiu desconcentrar investimentos e criar novas perspectivas para o desenvolvimento econômico e social dos municípios da Grande Curitiba.
Ao mesmo tempo, abriu um espaço fundamental para a participação da sociedade. Um bom exemplo disso foi a discussão do novo zoneamento e do uso do solo, feita nos bairros com a população e também com os segmentos organizados. Uma discussão fluida e democrática, que deixou de fora aquele ‘‘verniz técnico’’ que, ao longo dos anos, envolveu algumas das decisões do instituto.
Aliás, pode-se dizer que, em grande parte, o Ippuc está ingressando neste novo momento graças à necessidade de se estabelecer uma nova interface com a população. As pessoas perceberam que não basta apenas olhar para a sua rua, mas para a cidade inteira. Nada mais lógico: a escola ou unidade de saúde que a prefeitura faz (ou deixa de fazer) no Bairro Novo, por exemplo, tem sérios reflexos sobre uma área de abrangência muito maior.
A sociedade precisa, porém, amadurecer ainda mais esta visão holística e trocar a participação pontual – vista, por exemplo, na última eleição – por um acompanhamento da realidade em tempo integral. Um exemplo deste descompasso entre participação e momento histórico pôde ser observado na recente eleição do conselho tutelar, que despertou o interesse de apenas 20 mil ‘‘heróicos’’ votantes, quando Curitiba tem 1 milhão de eleitores.
Não podemos, também, escamotear a participação popular criando novos e burocráticos conselhos que, via de regra, funcionam bem nas primeiras reuniões e, depois, acabam esvaziados pelo desinteresse de seus participantes.
Não há, ainda, que confundir participação popular com a defesa de interesses segmentados, como observamos em alguns momentos de discussão do zoneamento. Neste processo, o Ippuc foi acusado, por exemplo, de ‘‘ditar regras’’ em detrimento da ‘‘discussão democrática’’, quando nada mais fez que cumprir seu papel de lutar, como sempre fez, por uma cidade centrada no ser humano.
Não esquecemos, porém, de que o processo de amadurecimento passa pela evolução de todos os interlocutores. E é por isso que o Ippuc está mudando de uma forma que, antecipo, será revolucionária. Já iniciamos estudos e, em muito pouco tempo, teremos uma estrutura de participação muito mais ampla e aberta, pronta para responder com mais agilidade aos anseios da Curitiba metropolitana.
- CASSIO TANIGUCHI é prefeito de Curitiba

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