Os 130 anos de amizade entre Brasil e Japão
Foi por uma importante missão científica que o primeiro brasileiro visitou o Japão em 1874
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domingo, 15 de junho de 2025
Foi por uma importante missão científica que o primeiro brasileiro visitou o Japão em 1874
Edinelson Alves 
O primeiro relacionamento entre brasileiros e japoneses ocorreu por acaso. Em 1803, quatro japoneses que estavam à deriva no mar foram salvos por um navio de guerra russo e, durante a viagem de repatriação ao Japão, a embarcação fez escala em Florianópolis (SC). Os quatro náufragos entraram para a história como os primeiros japoneses a pisar em solo brasileiro.
Mas, foi por uma importante missão científica que o primeiro brasileiro visitou o Japão em 1874. Conhecido como Dr. Almeida, Francisco Antônio de Almeida Júnior, astrônomo, engenheiro e professor universitário, visitou o Japão como integrante do Grupo de Expedição Astronômico Francês. Somente em 1895 as relações diplomáticas entre Brasil e Japão foram estabelecidas oficialmente com o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação. Curiosamente, o acordo foi assinado em Paris pelos ministros Sone Arasuke e Gabriel de Toledo Piza e Almeida, ambos representavam os seus respectivos países na França.
Dois anos depois, após nota de ratificação do tratado bilateral, Sutemi Chinda assumiu como ministro do Japão no Brasil e Henrique Carlos Ribeiro Lisboa tomou posse como embaixador do Brasil no Japão.
Fato relevante nessa conexão entre os dois países ocorreu em 1908 com a chegada do navio Kasato Maru: com 781 imigrantes japoneses a bordo, a embarcação partiu de Kobe, no Japão, no dia 28 de abril e só chegou no porto de Santos em 18 de junho. Estima-se que, de 1908 a 1941, chegaram no Brasil 190 mil imigrantes japoneses. Mas, durante a Segunda Guerra Mundial, Brasil e Japão estiveram em lados apostos. Por isso, em 1942, o ministro das Relações Exteriores Osvaldo Aranha declarou o rompimento das relações diplomáticas com o Japão. Dez anos depois foi selado o tratado de paz. E, em 1973 partiu do porto de Yokohama com 285 imigrantes, o último navio japonês com destino a América do Sul – a opção de transporte para os imigrantes passou a ser o avião.
O saldo desses 130 anos de amizade fez com que o Brasil se tornasse a maior comunidade nikkei fora do Japão com 2,7 milhões de descendentes. Em contrapartida, o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com mais de 210 mil residentes. No comércio internacional, conforme dados de 2024, o saldo das importações e exportações totalizou US$ 11 bilhões, com superávit de US$ 247 milhões em favor do Brasil. Esses números revelam que o Japão é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia (atrás da China) e o 11ª no mundo.
A influência e a contribuição japonesa para o Brasil ao longo desses 130 anos são enormes. Na capital paulista, eles transformaram o bairro da Liberdade em um pequeno Japão. No interior, destacaram-se na agricultura, não só com a determinação espartana para o trabalho como também com a introdução de novas técnicas de plantio e cultivo, resultando em recordes de produtividade. Essa mesma disciplina dos descendentes igualmente fez história nos estudos, garantindo aprovação nos mais concorridos vestibulares. A culinária é um capítulo à parte, pois introduziu técnicas de preparação com ingredientes frescos, molhos e temperos específicos em pratos que se tornaram tradicionais como sushi, sashimi, tempurá, yakissoba e ramem.
Como recebeu o segundo maior contingente de japoneses (atrás apenas de São Paulo), o Norte do Paraná tem feito parte, ao longo de décadas, das festividades oficiais que comemoram a amizade entre Brasil e Japão. Londrina e Maringá sempre fazem parte desse roteiro, mas tem sido Rolândia, desde quando inaugurou em 1978 o Museu Japonês que se tornou uma espécie de “solo sagrado” por onde tem caminhado os membros da família real do Japão.
No Imin 70, em 1978, milhares de pessoas recepcionaram o então príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko, o presidente Ernesto Geisel, entre tantas outras autoridades. A visita da princesa Kako, na segunda-feira (9), segue uma tradição de família: a irmã dela, a princesa Mako, há 7 anos representou a família real na comemoração dos 110 anos da imigração japonesa; e o seu pai, o principe Fumihito, há 10 anos celebrou os 120 anos do tratado de amizade e de cooperação entre Brasil e Japão.
Edinelson Alves, jornalista


