Origens do novo modelo de escola - Ivan Frederico Lupiano Dias
Ivan Frederico Lupiano Dias
Existe hoje uma quase unanimidade que o ensino deve mudar e tendências bem fortes apontam para o tipo de mudança necessária: a preparação do aluno para o aprender a aprender. Para aprofundar a análise do propósito destas mudanças é preciso, entretanto voltar um pouco no passado. Numa abordagem um pouco mecanicista podemos considerar que, em parte, a introdução da escola como paradigma universal foi uma das consequências da Revolução Industrial.
A cultura de que todos têm direito ao ensino, tão natural para nós hoje em dia, não tinha nada de natural alguns séculos atrás. O número de pessoas alfabetizadas de classes sociais mais favorecidas. A necessidade de mão-de-obra com algum treinamento para tocar máquinas, para desenvolver máquinas, fez surgir; primeiramente nos países que desenvolveram sua economia com base na industrialização; a necessidade do aprendizado em uma escala que atingisse todas as classes.
A divisão do trabalho permitiu primeiro a incorporação de mão-de-obra de baixo nível de escolaridade ao processo produtivo porém o desenvolvimento da automação levado a efeito desde os primórdios da Revolução Industrial para proporcionar aumento de produtividade levou à necessidade de trabalhadores com maior escolaridade devido à crescente complexidade das máquinas.
A complexidade das máquinas, o alto custo dos equipamentos, a rápida mudança de conteúdo na tecnologia e o progresso industrial possibilitaram o reconhecimento da importância econômica do conhecimento científico e tecnológico. E, portanto, da necessidade do aprendizado em uma escala que atingisse todas as classes sociais. Os países que ficaram para trás na implantação de um modelo de desenvolvimento baseado na industrialização são os que até hoje se mostram deficientes na escolaridade de sua população (salvo raríssimas exceções). São países com maiores índices de pobreza, maior número de analfabetos, com maior dívida social, com maior concentração de renda e um Estado incapaz de montar uma mínima e decente estrutura assistencial.
A escola como a conhecemos segue o modelo da revolução industrial. É uma escola industrialista todo mundo indo para o mesmo lugar, no mesmo intervalo de tempo, recebendo o mesmo tipo e a mesma quantidade de informações sob disciplina: fica mais barato. É da lógica do sistema. Mas a introdução do sistema de fábrica trouxe desde o primeiro momento as sementes de sua superação. Se era mais eficiente os homens irem para o mesmo lugar para produzir de modo mais competitivo, a própria lógica do sistema introduziu a necessidade constante de aperfeiçoamento das máquinas.
A introdução contínua das novas máquinas, cada vez melhores na substituição do homem é o que entendemos por automação. A automação é a verdadeira semente do que vivemos hoje. Podemos estar, devido ao contínuo aperfeiçoamento dos processos de automação, transitando para um novo modo de produção. Ou, se fomos cuidadosos, para novas modalidades de produção. O fenômeno é denominado por alguns autores como a Segunda Revolução Industrial ou A Terceira Onda, como citado pelo autor Alvin Toffler. Se estamos transitando para novas modalidades de produção, então o nosso sistema escolar tem que mudar.
O que a nova modalidade de produção exige? Fábricas que precisam cada vez menos de homens, pois temos, cada dez mais, melhores máquinas para produzir. O trabalho, em muitos casos, pode ser realizado a distância, em casa, com acesso através de outras máquinas. Necessita-se de profissionais com habilidades diferenciadas das propiciadas por sua formação específica a aptos a um processo contínuo de treinamento. O número de pessoas necessárias à produção de qualquer tipo de bem, diminui rapidamente, E a escola para este modelo? Muda para um novo tipo, que nos deixa mais a sós com a nossa capacidade intelectual, com a nossa vontade, com o nosso esforço. O aprendizado da velha escola já não basta.
O forte desenvolvimento tecnológico das últimas décadas permitiu o acesso a informações em uma escala sem precedentes na história humana. As empresas sobreviverem e serem competitivas em um mercado que traz, de modo contínuo, inovações em grande velocidades, precisam de profissionais permanentemente sintonizados. Para manter seu emprego nessa estrutura, o trabalhador precisa de uma estrutura de educação diferente e um contínuo processo de aprendizado. Por isto temos que aprender a aprender. Para isto precisamos preparar para o aprender a aprender. Mas isto é o que exige a nova modalidade de produção.





