Organização Terrorista Sociedade Anônima
A Venezuela tem direito de se auto determinar sem que seja ameaçada por uma potência bélica feito os Estados Unidos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de janeiro de 2026
A Venezuela tem direito de se auto determinar sem que seja ameaçada por uma potência bélica feito os Estados Unidos
João Gomes Filho 
Leio, nos sítios onde navego, declaração do presidente estadunidense, que a República Bolivariana da Venezuela é uma organização terrorista. Reli e três li a asseveração. É isso mesmo que o sujeito falou.
Não vou me perder entrelinhas, naquilo que a vida me cobra olhar adiante e merecer o pai e a mãe que tenho – ainda que pela vergonha que me cola a face. Então, vamos lá...
A República Bolivariana da Venezuela não é e jamais será uma organização terrorista. Seu ‘pecado’ é outro: tem petróleo (muito) e não se curva ao interesse econômico comercial estadunidense – feito a extrema direita brasileira e o sicofanta do rio da Plata (Milei).
A Venezuela tem direito de se auto determinar sem que seja ameaçada por uma potência bélica feito os Estados Unidos. Isso nem seria de se discutir. Mas em tempos de má poesia, a métrica nega a vida e abraça o ‘imponderável de Almeida’ (personagem de Nelson Rodrigues), desanuviando nossa própria essência.
Dito isso, reforço: Há muito desavisado por latino américa que, via de regra, vive um infinito lambe-botas, pelas cordilheiras e na areia de nossas praias. Mas não choro por isso, suposto que a história da América Latina é pródiga e está arrimada em alguns pilares...
Simon Bolivar é um deles. Paulo Freire outro. Entre ambos há mais de dois séculos de sofrência. Vou me aprumar em explicar...
Simon Bolivar foi presidente venezuelano no século XVIII e é reconhecido e reverenciado enquanto o primeiro líder latino a se insurgir contra o colonialismo que nos assolou. Isso não é pouco e, seu nome, deveria encher nossos corações de orgulho.
Paulo Freire é, desde sempre, o brasileiro mais condecorado e reverenciado de nossa história. Enquanto educador segue único e inigualável – para desespero dos ignaros de plantão, que compõe e abastecem nossa primeira classe econômica, pródiga em não reconhecer valor.
Bolivar e Freire deveriam ser nosso Norte...
Só que não, naquilo que, em latino américa o buraco sempre será mais embaixo, na medida em que por aqui não temos apenas dissidentes culturais, e sim estúpidos lambe botas.
É justamente esse cidadão de nenhuma categoria (embora quase sempre ligado a primeira classe econômica) quem apruma os desarranjos de pensamento, encaminhando pela veia da mentira (fake news) a cisão social que alimenta os interesses do grande capital.
Assim é que para cada Simon Bolivar, Ernesto Guevara, Fidel Castro, Luis Carlos Prestes, Salvador Allende, há um sem número de operadores do interesse alienígena em solo latino, pronto a trair o ideário de crescimento que se anunciou em sangue derramado.
Para isso o caminho desenhado é o descrédito institucional, seguido do roteiro golpista que espia um inimigo mentiroso e imaginário, mas eficiente, feito o comunismo ou o terrorismo.
No caso da fala do presidente estadunidense o inimigo mentiroso é o terrorismo.
Faço uma aposta com você, incauto leitor: se amanhã, o governo da Venezuela abrir a exploração petrolífera venezuelana aos interesses corporativos das grandes petrolíferas, mais que depressa ele se transforma, no discurso geopolítico estadunidense, de terrorista em herói americano do século XXI.
Nem precisa assinar um contrato com as companhias, basta vir a público e anunciar que a Venezuela se rende ao interesse dos pilgrins e, nesse melhor entendimento, entregar aos herdeiros daquele peru que matou a fome de uma família em uma severa nevasca, o petróleo venezuelano – afinal é disso que se trata a geopolítica pilgrin: oprimir para não ter que imprimir o lastro que já lhe falta...
Não fosse assim porque os pilgrins lançariam duas bombas nucleares sobre o Japão (Hiroshima e Nagasaki) ao final da Segunda Guerra Mundial?
Qual a necessidade, à época, de lançar bombas atômicas sobre a sociedade civil japonesa, notadamente se o exército do imperador já se encontrava desfigurado e a própria guerra encaminhava seu fim?
Manifestação de força? Empoderamento de relações pós-guerra? Interesse comercial superveniente? Nada disso, individualmente ou em conjunto, justificaria matar civis em uma guerra que se encaminhava para o fim. Mas ainda assim tio san apertou o botão mortal e fez o que tem feito há mais de meio século: matou inocentes...
Deveras, a primeira vítima da guerra é a inocência. Isso é senso comum e seu desidério vem aprumando nosso entendimento. Ocorre que nem toda guerra tem motivação e circunstância estabelecida – naquilo que o interesse econômico segue sendo a força motriz de dez entre dez conflitos bélicos.
No caso da fala de Trump, a mentira terrorista não é senão roteiro preliminar de uma invasão bélica aos irmãos venezuelanos. Em nome do capital.
Tristes trópicos, onde a vida se esvai na mentira geopolítica que abastece o grande capital.
Saudade Pai.
João Gomes Filho, advogado
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