Organização impecável
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de setembro de 2001
André Gustavo Stumpf 
O início da primeira guerra do século 21 revela peculiaridades. O país da democracia e do amplo trânsito de informações escondeu notícias em nome de manter elevado o moral público. Nenhuma fotografia de vítima do ataque terrorista foi exibida até agora. E, depois da terça-feira trágica, os jornais e as emissoras de televisão estão se repetindo. Não há notícias novas.
A tragédia de Nova York foi impressionante. A do Pentágono também. Mas sobre esta última pouco se sabe. O número de vítimas não foi informado e não há imagens recentes do que de fato foi atingido. Falar de censura talvez seja um pouco forte no país do jornalismo investigativo. Mas é possível enxergar um acordo entre governo e os principais veículos de comunicação para não divulgar a verdadeira extensão dos danos. Guerra é guerra.
No outro lado, a demonização excessiva dos muçulmanos e em especial desse misterioso Osama bin Laden cria um inimigo difuso. Há muçulmanos por todo o mundo, inclusive no Brasil. Em verdade, os verdadeiros responsáveis pelo ataque aos Estados Unidos não foram ainda encontrados. Se o foram, a cortina de silêncio desceu sobre eles. Há suspeita de que existe um governo por trás do ocorrido. A logística da operação, além de ter custo muito elevado, exige rigor militar. Parece plano traçado por oficiais de estado-maior.
É difícil que um terrorista perdido nas montanhas do Afeganistão tenha capacidade de fazer o que fez. Ele, aliás, nega. Mas, se o milionário saudita for, de fato, o responsável pelo ataque, ele se transforma numa das pessoas mais poderosas do planeta. Lá do fundo de sua caverna, consegue atingir o coração do império, destruir um dos símbolos de Nova York e agredir o comando de todos os exércitos. É muita força para uma pessoa só. A tentativa de construir uma imagem demoníaca desvia a atenção de outros detalhes mal explicados e pouco conhecidos.
O sequestro de quatro aviões (no início das transmissões eram oito, lembram-se?) envolve grande número de pessoas. São quase vinte sequestradores que partiram de aeroportos diferentes em horários próximos. Desviaram os vôos com precisão militar e atacaram os alvos com rigor e objetividade. Alto índice de acerto. Tudo muito organizado demais. Pode ter havido colaboração local. Nenhum radar dos muitos que funcionam na área percebeu nada. O alarme não disparou. São situações estranhas.
A logística foi impressionante. Demonstrou a vulnerabilidade dos Estados Unidos a um ataque muito bem coordenado. Não é a tradição dos árabes. Ao contrário, eles são considerados maus soldados. Sempre dispõem de ótimo equipamento, muito dinheiro, mas não são disciplinados, nem qualificados. A falta de informações precisas ainda não permite avançar sobre quem é o responsável pelo ataque aos EUA. Um militar brasileiro fez comentário significativo: ''O ataque foi muito bem realizado para ter sido feito pelos árabes.''
- ANDRÉ GUSTAVO STUMPF é jornalista em Brasília
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