Suas finanças estão em frangalhos? O saldo bancário no vermelho? Está atolado em dívidas? Ou então o dinheiro extra está prestes a se converter na calça da moda? Acalme-se! Antes de contrair dívidas, apelar para empréstimos ou esbanjar, por que não parar e analisar a situação?

É no que aposta o professor Luiz Fernando Soares da Silva, que recentemente proferiu palestra no Encontro Científico da Unopar. Para ele, o computador ou até mesmo o bom e velho bloquinho de anotações ajudam a evitar abusos. A educação financeira, seja via tecnologia da informação ou na ponta do lápis, é disciplina que se aprende de pequeno e, ao contrário de fórmulas e afins, deve ser recorrente por toda a vida.

As pessoas têm noção de orçamento e controle de gastos?
De forma alguma. Esse é um paradigma que precisamos quebrar. Elas não sabem, e, por mais que seja dito, elas só têm noção do que está errado no orçamento após o período de um mês, quando têm acesso a uma planilha com todos os gastos diários. Quando prestamos consultoria para as finanças pessoais, fazemos uma somatória e lançamos, numa planilha, todos os tipos de gastos, como moradia, alimentação e vestuário. Geralmente as pessoas caem para trás com o que vêem.

Se pudéssemos criar uma pirâmide do que é palpável e do que é descartável, qual sua sugestão?
Pesquisas da Fundação Getúlio Vargas e do IBGE mostram que as necessidades básicas são moradia, alimentação, saúde/bem-estar e cultura. Se uma pessoa não mora bem, ela não vai produzir bem ou conseguir trabalhar. O acesso à cultura também é importante, bem como o acesso a sites simuladores de gastos pessoais, voltados à economia doméstica. Preconizando esses tópicos, eu tiro aquilo que é desejo e levo em consideração aquilo que de fato preciso. Uma calça, por exemplo, é uma necessidade, mas uma calça de R$ 800 não. Trata-se de um desejo. O grande segredo é priorizar o que é necessário e eliminar o que é desejo.

Mas essas lojas que vendem calças de R$800 ou até mais sempre faturam muito...
A facilidade de crédito está aí. É fácil eu ter um carro. Difícil é pensar que esse carro vai ter uma parcela mensal, que vai precisar de combustível, manutenção, IPVA, seguro. A facilidade de crédito faz com que as pessoas olhem somente com o olhar do consumismo, não observando as consequências e, por tabela, se endividando, não sabendo se seus respectivos orçamentos comportam determinados gastos.

O brasileiro em si está menos educado financeiramente?
Acredito que sim. Ouço de muitos professores e acho que deveríamos lutar com o MEC e demais órgãos ligados à educação para incluirmos a disciplina de educação financeira desde o ensino fundamental. Em Londres, por exemplo, determinadas escolas mostram para as crianças como se educar financeiramente. Muitas crianças inglesas sabem onde aplicar e o que poupar da quantia que recebem mensalmente de seus pais, coisa que não vemos no Brasil. Resultado: as crianças optam pelo comprar, comprar e comprar. Elas acessam a internet e querem os últimos lançamentos, não tendo noção de que gastos podem ser controlados.

A saúde financeira não está atrelada somente ao quanto ganhamos?
Na verdade, temos que nos preocupar com três tópicos: quanto ganhamos, quanto gastamos e quanto poupamos. Uma das características do planejamento é exatamente nossa poupança doméstica, isto é, quanto guardamos. Se pensarmos em poupar desde cedo, lá na frente não vamos precisar nos preocupar com os rendimentos. Daí a importância de uma boa poupança, da previdência privada, da economia, porque lá na frente vamos precisar disso.

Devemos sempre optar pela compra à vista? E quanto poupar?
Primeiramente devemos levar em conta que não existe essa questão da compra parcelada sem juros. Se você não tem em mãos uma planilha, se ao menos tiver anotado tudo o que ganha e quanto guarda, faça-se a pergunta: posso ou não posso assumir essa dívida, seja ela à vista ou parcelada? Agora, para se condicionar a economizar, comece economizando 1%. Em caso de dívidas, tente procurar a melhor saída para quitá-las. Uma vez pagas, como o ser humano é bastante competitivo, você provavelmente vai ultrapassar essa economia para 2% de seus rendimentos, e assim sucessivamente. Comece com pouco, mas comece!

mockup