Oposições querem Lula fraco até eleição
Os partidos políticos estão reticentes e cautelosos diante da enroscada situação do Governo. Um ano antes de começar a deflagrar-se a campanha eleitoral para a Presidência da República, é prudente não tumultuar ainda mais o processo, ademais porque ajudar o Governo é ajudar o PT e pavimentar a candidatura de Lula à reeleição. Patriotismo não existe no ideário dos partidos e sim a antropofagia e o desejo de assumir o poder. Sob essa ótica eles se comportam com a prudência de não piorar as coisas mas também não melhorá-las. Um eventual movimento em favor do ''impeachment'' presidencial seria por si mesmo desastroso, e um desfecho repetindo o episódio Collor lançaria o povo na insegurança e geraria grande desgaste ante as nações. Parodiando a anedota política, nem bater tão forte que pareça uma clara ofensiva detonadora e não tão devagar que pareça indiferença com o que vem acontecendo. Algo brusco que ocorresse agora além do vendaval de vergonhas que assola a pátria causaria um enfraquecimento ainda maior das instituições e uma corrente de descrença e desencanto do eleitorado. Mas é certo que todos os partidos com potencial para apresentar candidato desejam, mesmo, é ver a figura de Lula ir definhando no descrédito popular e receber o golpe final nas urnas. Se, ao contrário, a imagem presidencial conseguir recuperar-se, eventualmente por medidas heróicas que o Presidente venha a tomar, a pugna eleitoral será mais acirrada. Porque os que elegeram Lula, embora frustrados, são como torcedores em derrota de campeonato: não abandonam o time e guardam as esperanças para a próxima rodada. Já o PFL, que sempre foi o partido mais radical, quer Lula na disputa justamente com o sentido de castigá-lo com a derrota, pois não crê que ele chegue ''nem ao segundo turno''. Os partidos temem também que, penalizar Lula daqui para diante, é correr o risco de convertê-lo em vítima, porque não faltam os que, no círculo de seu partido, comecem a afirmar que o Governo está sendo atacado por campanha difamatória das elites. Um prato cheio, muito do agrado do populismo, é bater forte nas elites destacadamente aquelas que tocam negócios, produzem riquezas, geram empregos e impostos e mantêm a estabilidade econômica não ainda em patamar satisfatório, mas mantêm. E apoiar o Governo, agora, poderá parecer aprovação dos desmandos, da pouca operância governamental e da corrupção. Deixar que as coisas sigam seu rumo é, ao que parece, a estratégia. O presidente Lula, portanto, está sozinho para salvar-se, se é que sabe como, porque seu próprio partido não lhe fornece suporte, antes o contrário.





