Curitiba - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse ontem que a ala de oposição do PMDB pode desautorizar a formação da chapa Serra-Rita na convenção do partido. Ele afirmou ter convicção de que mais de 90% dos convencionais vão votar ‘‘pela liberação (das coligações) nos Estados’’.
O reflexo disso, segundo ele, será a ‘‘dissolução’’ da chapa presidencial PSDB-PMDB. ‘‘A executiva do partido não tem autoridade, nem autorização dos convencionais para decidir por eles’’, afirmou. Mas diante do argumento de que a ala governista também afirma ter maioria dos delegados, Requião recuou. ‘‘Só vamos descobrir isso na convenção’’, disse.
O senador, que é pré-candidato ao governo do Paraná, se disse amigo da deputada Rita Camata (PMDB-ES) e do senador José Serra (PSDB), mas ironizou a chapa formada pelos dois. ‘‘Eles formam um casal maravilhoso para um concurso de tango. Propostas de mudanças, que é do que precisamos para o País, não vi nada ainda.’’ Segundo o senador, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ‘‘continua sendo a melhor opção’’.
Requião também criticou a postura do senador Pedro Simon (PMDB-RS) no período que precedeu a indicação de Rita a vice na chapa de Serra. ‘‘Ele (Simon) não deveria ter se oferecido, mas mantido a candidatura presidencial’’. Para Requião, Simon ‘‘deixou-se humilhar: aceitou (a vice), sem ter sido convidado, e foi rejeitado, sem ter sido indicado’’.
O senador disse que vai à convenção com a defesa de liberação do partido nos Estados. ‘‘Recebi um documento de todos os candidatos a deputado no Paraná defendendo a liberdade’’, justificou.
Na última terça, Lula disse que espera apoio da oposição do PMDB do Paraná. Ontem Requião tratou de protelar essa garantia. ‘‘Estou aberto nesta disputa, mas tem um impedimento material que é ele (Lula) sair dizendo que o candidato ideal para o Paraná é o Padre Roque’’. O deputado federal Padre Roque Zimmermann é o pré-candidato do PT ao Palácio Iguaçu.

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