Oposição se aglutina (Ruy Fabiano)
Ruy FabianoOposição
se aglutina
A adesão de Itamar Franco à frente oposicionista capitaneada pela candidatura presidencial de Lula está sendo vista como vital por PT e PDT. No rastro de Itamar, viriam Paes de Andrade, José Sarney e todo o PMDB dissidente. Mais importante: poderia vir Ciro Gomes, candidato do PPS à presidência.
Brizola e PT já estão em campo para negociar. O PT aborda Itamar; Brizola, Ciro Gomes. O primeiro contato com Itamar, feito por José Dirceu na quinta-feira, não rendeu frutos. Itamar, no clássico estilo mineiro, desconversou. Não assumirá nenhum compromisso antes da convenção do PMDB, em que mais uma vez estará sob exame a tese de candidatura própria à presidência da República.
A hipótese de triunfo da tese, derrotada na convenção de março passado, é remota, mas existe - e basta isso para que a esperança persista. Itamar é o candidato dos dissidentes peemedebistas. Aguarda a convenção para consolidar seu papel de liderança oposicionista. No mínimo, fortalecerá seu papel crítico nas eleições.
O PT estimula a adrenalina de Itamar. José Dirceu diz, com improvável sinceridade, que a candidatura própria do PMDB é boa para o processo democrático. Para os planos do PT, no entanto, melhor ainda será se não houver, se os votos dos dissidentes somarem-se aos da frente oposicionista. Como ninguém crê no triunfo dos dissidentes na convenção peemedebista, não custa nada estimulá-los.
Já a candidatura própria do PPS, via Ciro Gomes, como é fato e não hipótese, não produz os mesmos elogios. O PT não se dispôs a apoiar Ciro. Disse mesmo que seu nome não era confiável, dada a sua origem política, no campo conservador. Apesar disso, quer agora sua adesão à frente oposicionista, a que começam a se agregar, além de PT e PDT, PSB e PC do B. Ciro não parece sensibilizado.
Diz que união só no segundo turno. Acha mesmo que, havendo de saída mais de um candidato de oposição, garante-se melhor o segundo turno. Brizola ficou de abordá-lo e convencê-lo do contrário. Ciro está ressentido com alguns com alguns personagens da oposição, sobretudo da ala xiita do PT, que puseram em dúvida suas convicções críticas a Fernando Henrique. Amigo de longa data de Tasso Jereissati, um dos conselheiros de FHC, Ciro chegou a ser acusado de quinta coluna, cuja candidatura teria apenas o objetivo estratégico de dividir a oposição.
Brizola, que ainda não resolveu as pendências entre PT e PDT no Estado do Rio, ofereceu-se para negociar sua adesão à frente. Por enquanto, há mais entusiasmo que resultados efetivos na oposição. A frente única continua sendo uma hipótese - e complicada.





