A razão da existência da oposição aos governos, nos parlamentos, não deve ser apenas por mera oposição, até porque essa postura sistemática pode prejudicar o andamento de bons projetos e a eficiência de uma casa legislativa. Oposição significa agir contra desmandos dos governos e de grupos corporificados que seguem à risca as determinações do Poder Executivo, às vezes passando por cima dos interesses da população e auferindo de vantagens pessoais. Uma prática nociva muito comum no Brasil. Ser oposição pode significar, também, votar a favor do Governo quando isto for do proveito do povo.
No Paraná, o incontido governador peemedebista Roberto Requião criou complicações ao declarar que na Assembléia Legislativa não existe oposição (a ele). Não se sabe se quis dizer que a desejava ou se pretendeu desafiar ou ironizar os opositores, que naturalmente existem. Isto provocou um levante do líder da oposição na Casa, deputado Valdir Rossoni, do PSDB. Que já anunciou um endurecimento a partir do retorno dos trabalhos legislativos, em fevereiro. A idéia é mostrar que existe, sim, oposição - anunciada como de 22 dentre os 54 parlamentares - e que ela vai se intensificar. Rossoni não disse qual será a estratégia mas espera-se que não seja, eventualmente, o emperramento de bons projetos emanados dos governistas.
Requião, bem no seu irreverente estilo, tem declarado que Rossoni o incomoda e até declarou publicamente que vai ''dar-lhe uns petelecos''. O deputado reagiu, e não por isso mas porque Requião lançou um dardo envenenado ao dizer que não há oposição. Isso mexeu com o brio da bancada oposicionista, que vai chegar com força total, ao que anuncia.
Nem provocações e nem petelecos, de um lado, e nem oposição apenas para mostrar ao governador com quem ele está falando... Um caminho do meio é o governador fazer governo - e certamente o tem feito á- apesar dos seus destemperos verbais e às vezes comportamentais, e que a oposição e os deputados em geral exerçam a missão que lhes compete. Que é apresentar, discutir e votar boas leis, reformular as antigas já inadequadas, zelar pela contenção dos gastos, na própria Assembléia e no âmbito dos demais Poderes até onde lhe compete, e pela boa aplicação do dinheiro público.
Este o sentido de uma oposição eficiente e operante, o que não significa sempre ser do contra. Porque se isso ocorre apenas em função do nome e de birras, a população não aprovará. O governador não precisa reagir a pedradas contra os que o contrariam e criticam suas condutas e atos executivos, e a oposição não pode melindrar-se e revidar na mesma intensidade, ou ambos serão iguais. Não é isto que o povo quer.

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