Oposição é a resposta na UFPR
O processo de eleição de reitor e vice da Universidade Federal do Paraná (UFPR) permite uma grande reflexão sobre as políticas públicas governamentais, tendo, como pano de fundo, a análise da atual conjuntura nacional e mundial da globalização.
Exercitar o processo crítico em defesa do ensino público é manter a universidade pulsando, é buscar novos paradigmas. Para isso, é necessário sair da inércia administrativa, rejeitar o conformismo e a acomodação. Enfim, é necessário renovar os pensamentos e as propostas para resgatar a concepção de universidade pública.
A existência de uma chapa de oposição à reitoria da UFPR incomoda àqueles que estão no poder e pretendem iludir a comunidade autodenominando-se defensores da universidade pública. Entretanto, submetem-se e até apóiam a política de desmonte da universidade.
Podemos afirmar que, em âmbito nacional, somos oposição às políticas de sucateamento e privatização da universidade pública e às políticas de venda do patrimônio público.
Sempre nos posicionamos contrários à venda da Copel e, sobretudo, contra a privatização do ensino público. Queremos um Brasil soberano, com justiça social e, para justificar nossa posição política, não necessitamos apresentar comprovação de nossa militância em momentos históricos. Na UFPR, ser oposição representa o compromisso de resgatar o amplo debate não só com comunidade interna, mas também com toda a sociedade.
A candidatura Moreira/Aldair foi construída em um fórum aberto de debates realizados desde o início do ano, diferente da outra candidatura articulada no gabinete do reitor. A chapa se caracteriza como oposição por não aceitar o continuísmo de uma gestão que não correspondeu às expectativas e gerou uma insatisfação generalizada na UFPR.
Moreira e Aldair defendem uma UFPR pública, gratuita e com qualidade, além de querer resgatar uma administração transparente, democrática, plural, dinâmica e participativa, onde todos possam construir o espaço do saber.
O isolacionismo da atual administração deve ceder lugar ao exercício do espaço coletivo, e os conselhos superiores, em especial o Conselho Universitário, devem ser convocados para discutir políticas universitárias. Não queremos que o Conselho Universitário seja um mero cartório de decisão colegiada, convocado e desconvocado segundo as preferências do reitor.
Moreira e Aldair defendem uma universidade em que a convivência democrática seja ferramenta na busca permanente da verdade, com gestão participativa que, valorizando as pessoas e suas opiniões, opere modificações imprescindíveis para a melhoria das condições de trabalho e motivação de todos. Uma administração que, atuando com transparência orçamentária, proporcione condições para cumprir sua missão de ensino, pesquisa e extensão, de forma indissociável; com compromisso social.
Não queremos uma administração que se preocupe apenas com a construção do saber e o preparo de profissionais competentes. Queremos pessoas que se preocupem também, e principalmente, com formação cidadã.
Estamos elaborando uma proposta de gestão que abra as portas à comunidade, construa parcerias, some esforços com as comunidades representativas da sociedade civil organizada e instituições públicas, que comunguem um ideário de nação livre, soberana e solidária. Uma proposta de gestão que faça o debate permanente, que possibilite a crítica e impeça qualquer política fundada na lógica da exclusão, onde o espaço plural da produção do conhecimento seja respeitado.
A proposta apresentada pelos candidatos Moreira/Aldair é sim de oposição à chapa da reitoria da UFPR. Mas ela não está fechada. Temos muito a discutir, e a opinião da comunidade universitária é importante para a concretização de uma gestão democrática. Convidamos todos à leitura do documento ''Programa de Administração para a UFPR'', que explicita os princípios fundamentais defendidos por Moreira e Aldair.
- NIVALDO EDUARDO RIZZI, ANTONIO CARLOS GONDIM, HELIO HIPÓLITO SIMIEMA e VALDO JOSÉ CAVALLET são professores da UFPR e apóiam a candidatura da oposição





