Todo retorno de dinheiro ao meio circulante é sempre benéfico, por isso tem aspectos positivos o aumento de 0 a até 11% (8% em média) nas cotas do Bolsa Família que o presidente Lula acaba de aprovar. Já está havendo críticas a essa elevação pelo oportunismo de ocorrer três meses antes das eleições e com aceno de que o Tribunal Superior Eleitoral possa impedi-lo. Mas, se nenhum impasse houver, haverá uma disseminação anual de R$ 419 milhões na irrigação da economia.
Esse valor e toda a soma de dinheiro em poder do Governo têm origem numa única fonte, que é o bolso do contribuinte, por isso devem ser saudadas todas as formas de devolução, em espécie ou em serviços, obras, benefícios previdenciários. O aumento não chega a ser expressivo nos ganhos individuais, pois os contemplados passam a receber mensalmente de R$ 20 (o valor mínimo) a R$ 182. Certamente que o Governo não pretende subir algum imposto sob o pretexto de compensar esse esvaziamento de caixa, que é pequeno. Porque isto não é muito (R$ 35 milhões ao mês) no cotejo com a volumosa receita arrecadada. O programa Bolsa Família não emancipará nenhum dos beneficiados, e tem até estimulado o comodismo de muitos - que passaram a nada fazer em face da garantia desses minguados ganhos - mas considerando-se a situação de miséria extrema de milhões de patrícios, tem a sua função social e mitiga um pouco a fome. Porque, se a situação de co-irmãos brasileiros chegou ao ponto dessa dependência, há que dar-lhes socorro, mas também exigindo-se que o Governo adote políticas que estimulem o desenvolvimento econômico-social e propicie que cada um se sustente pelo ganho de seu trabalho.
O ministro Guido Mantega, da Fazenda, justifica que a medida foi adotada em face do aumento do custo dos alimentos, mas o Governo nunca foi tão atento a fatores como esse, e outros mais, quando atingem as classes produtoras e os cidadãos em geral. Mas, em véspera de eleições e com o anseio de o PT fazer o maior número de prefeitos e vereadores, o presidente Lula (mentor do aumento a essa faixa do eleitorado) agiu rápido. Embora beneficiando os pobres, a criação em 2003 dessa ajuda já foi uma medida populista, e o aumento de agora, diminuto que seja, segue esse mesmo diapasão e obviamente visa tirar rendimento político.

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