Oportunidades perdidas
Jason Porter, consultor norte-americano, disse na Redação desta FOLHA, dias atrás, que cidades paranaenses, inclusive Londrina, precisam incentivar o aprendizado do inglês. O assunto era a dificuldade que empresas estrangeiras têm para encontrar mão de obra qualificada no Brasil. Por falta de mão de obra o leitor poderia achar que Porter citaria formação em níveis mais elevados como química fina, engenharia ou ciência da computação e outras especificidades. Mas não. Porter trabalha em projetos de empresas norte-americanas que contratam call-center na Índia e Filipinas. E o único empecilho para esse tipo de empresa - no Brasil - é o atendimento. Ou seja é o idioma.
Qualificação. Nem se trata de especialização, ou formação acadêmica: apenas qualificação. O Brasil não tem gente preparada para desempenhar funções de média complexidade. Na indústria essa necessidade não está sendo preenchida. Paradoxalmente, há contingentes desempregados em todas as cidades e empresas procurando gente com experiência básica. O sindicalismo e os governos populistas capricharam nos direitos e exigências do trabalhador. Mas falharam no preparo dos cidadãos para funções mais elevadas.
A constatação de Jason Porter é a mesma dos empresários nacionais. Ainda ontem, o presidente da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Junior, disse ao repórter Glauber Gonçalves que os principais gargalos que o País deve enfrentar nos próximos anos estão relacionados à falta de mão de obra e escassez de financiamento de longo prazo para infraestrutura.
O presidente da Odebrecht afirmou que é necessário trabalhar lado a lado com o governo e universidade para a qualificação de profissionais. Não conseguimos mais buscar uma mão de obra pronta, antes fazíamos exportação de mão de obra. Nos últimos dois anos, isso se inverteu. Estamos trazendo de volta brasileiros que mandamos para fora porque não conseguimos encontrar profissionais aqui. O cenário é este. Que venham as universidades tecnológicas.





