Um país só pode ser considerado desenvolvido se todos tiverem oportunidades. A Constituição Federal assegura aos brasileiros uma série de direitos que, infelizmente, não têm sido cumpridos. Um desses casos é a educação. Escolas sem infraestrutura, corpo docente mal preparado e desmotivado e alunos desinteressados são alguns dos motivos que levam à evasão escolar e ao grande número de analfabetos ou mesmo de analfabetos funcionais.
Mas se a transformação de um país começa pela educação, pode-se afirmar que oferecer oportunidades aos detentos é um dos fatores que podem contribuir para o verdadeiro desenvolvimento do Brasil. Dados do Conselho Nacional de Educação, apresentados no ano passado, indicam que 66% da população presidiária não concluíram o Ensino Fundamental, menos de 8% têm o Ensino Médio e a mesma proporção é analfabeta. Mesmo assim, a adesão aos programas de educação dentro dos presídios é baixíssima: apenas um em cada dez participa de atividades educacionais.
Reportagem desta FOLHA ouviu relatos de presos que conseguiram uma vaga na universidade. A oportunidade para mudar de vida e abandonar o crime é o principal fator considerado. No entanto, conquistar a vaga é apenas o primeiro passo da jornada. Eles têm que lidar diariamente com dificuldades financeiras e preconceito dos colegas. Garantir a matrícula no curso de graduação é importante, mas tão ou mais importante é assegurar a frequência do aluno nas aulas e a conclusão do curso. A dedicação aos estudos tem que ser valorizada e, por isso, é importante que o detento receba alguma ajuda para concluir seus estudos. Os relatos apresentados mostram que o atual modelo precisa ser modificado.
Cabe ressaltar que toda a sociedade ganhará se o detento for ressocializado. Redução dos índices de criminalidade e diminuição da população carcerária são alguns dos primeiros impactos. É claro que a redução significativa e uma mudança de cenário só ocorrerá a partir de mudanças profundas nas atuais políticas educacionais, de saúde e até mesmo econômicas.

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