Oportunidade histórica - Leonel Brizola
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terça-feira, 21 de julho de 1998
Leonel Brizola 
Passamos a viver, a partir de agora, dias decisivos. São dias que valerão por decênios. Será, talvez, a última oportunidade, neste século, de uma mudança histórica na vida brasileira, que, neste século, só encontra paralelo na eleição, há 50 anos, de Getúlio Vargas. Naqueles dias, como agora, também operavam-se grandes mudanças na ordem internacional. A eleição de Getúlio foi o momento mais forte, na nossa história, de inserção, pelo voto, do povo brasileiro - e mais especificamente dos trabalhadores - nas decisões nacionais. Tudo, até há bem pouco, era decidido pela oligarquias.
Criaram-se, naqueles dias, as condições para que o Brasil, na nova situação mundial, deixasse de continuar sendo uma subnação, fornecedora apenas de minérios e produtos agrícolas, como tantas outras.
Dois fatores foram decisivos para isso: a defesa de nossa economia da espoliação internacional e a afirmação do conceito de que desenvolvimento e justiça social são idéias gêmeas, que só juntas podem sustentar. A continuidade daquele período, com JK e Jango, foi a época de mais altos salários para o trabalhador o de maior ampliação dos contigentes de classe média, antes restritos, praticamente, aos servidores públicos.
Tudo isso em plena estabilidade econômica e monetária, com um mínimo de inflação, ampliando a competitividade do País ou a fuga de investimentos. E, sobretudo, sem sacrifícios para a população: ao contrário, com a elevação dos seus padrões de vida.
Com estes antecedentes históricos, a situação que atravessamos nos leva a uma reflexão que só pode questionar esta campanha de mistificações, tentando induzir a população a temer a eleição de Lula, em outubro próximo. A verdade é que cada dia a Nação está tomando consciência de que o que está aí não pode continuar. Só o governismo - com FHC à frente, obcecado em continuar - é que teima em não ver que o povo brasileiro deseja uma mudança. Sequer têm coragem de defender seus próprios atos e acenam com novas promessas, tão falsas quanto as de há quatro anos.
O que causa apreensão e medo, isso sim, a milhões de brasileiros, é a continuidade de um governo que só se preocupou em vender e leiloar os bens da Nação para tapar buracos durante quatro anos. O resultado está aí: nem mesmo os buracos foram tapados, e este país e seu povo estão encalacrados numa dívida que se multiplicou por cinco, em juros monstruosos, num desemprego elevado a níveis cruéis, com os jovens sem esperanças, nem na educação nem na possibilidade de trabalhar.
E tudo isso diante de um presidente despreparado, ambicioso, e insensível aos problemas da vida real da população a ponto de lhe saírem disparates como o dos vagabundos e este, desta semana, de que as empregadas domésticas estão podendo viajar para a Europa com seus salários.
A força da verdade está exatamente aí: na sua inevitável simplicidade. Assim será a campanha de Lula, que representa a união do povo brasileiro. A simplicidade sincera contra a sofisticação afetada e mentirosa.
O povo vai vencer com a verdade.
- LEONEL BRIZOLA é presidente nacional do PDT
(http://www.pdt-pr.org.br)


