Oportunidade de interior buscar indústrias
O pólo automotivo vai se descentralizando de São Paulo, e fábricas vão se instalando em outros Estados, não porque aquele portentoso núcleo industrial esteja perdendo terreno mas porque é mais econômico e conveniente estabelecer-se em outros pontos. Esse fato desperta para a oportunidade de pólos emergentes ativarem sua estratégia de incentivo e buscar tais indústrias, e outras mais. Norte do Paraná incluído - região onde o extrativismo agrícola veio dividindo espaço com outros negócios, em especial a agroindústria e segmentos afins. Citando-se especificamente a indústria automobilística e sua variada gama de componentes - estes em grande parte produzidos por indústrias paralelas -, a populosa região norte-paranaense já foi alvo de interesses de marcas automotivas japonesas para instalar fábricas aqui, porque a infra-estrutura existente proporciona condições favoráveis. Indústrias gigantes, especialmente as multinacionais, atentam para fatores como facilidade de transporte, tanto para as mercadorias produzidas quanto para seus diretores e famílias, para estruturas de segurança, de ensino e de saúde, para o sistema hoteleiro e de serviços em geral, para os incentivos fiscais e - embora favor aparentemente sem importância - a simpatia com que a população recebe uma indústria. Um dos itens citados por diretores de uma empresa nipônica interessada em se instalar nesta região foi se havia campo de golfe, porque eles e seus executivos jogavam e isto era importante. A soma de detalhes favoráveis ganha a preferência de investidores de fora. A infra-estrutura instalada de Londrina e Maringá - citando-se as duas cidades maiores e mais bem equipadas da região - atende a muitos requisitos dos que pretendem instalar-se nos entornos desse eixo. Análise do IBGE publicada ontem neste Jornal demonstra que é mais caro montar uma fábrica no ABC paulista do que, por exemplo, na Bahia, e isto vale para outros Estados e cidades de menor densidade populacional e com menos problemas sociais. Curitiba, em face de políticas protecionistas dos governos em favor da Capital, abocanhou boa parte da indústria automotiva, mas o Paraná é um só e também o interior necessita de indústrias garantidoras de emprego e de desenvolvimento econômico. Se há tendência - que não vem de agora - de as grandes fábricas afastarem-se dos núcleos urbanos maiores, principalmente São Paulo, há que aproveitar isso, naturalmente que evitando as indústrias poluidoras e de risco ambiental mas indo em busca do que se deseja, sem esperar que os investidores potenciais tenham, eles, de descobrir regiões sólidas e de boa estrutura, como é o caso do Norte do Paraná.





