Oportunidade de ajustes e reordenamento
Está mal informado quem diz que sabe com precisão o que irá acontecer no day after da crise que teve como epicentro a poderosa nação norte-americana. É certo que a imprudência do sistema financeiro nos EUA que chegaria ao ponto de exaustão com a quebra do banco Lehman Brothers já causou estragos em todo o mundo, porque o universo da especulação monetária tem ramificações entrelaçadas, e basta um passo em falso para que o pandemônio se instale. Depois que acontece, é difícil conter.
Operações de grande risco, movidas antes de tudo pela ganância, geram conseqüências nefastas imprevisíveis, e essa conta a pagar acaba revertida para os maus e também para os bons, porque todos os cidadãos do planeta sofrem as conseqüências. Mas no âmago do problema está a solução, que é o socorro ao mercado financeiro em princípio negado pela Câmara de Representantes, mas certamente será revisto, ou o fosso resultará mais profundo. Os parlamentares do grande país capitalista precisam nesta hora abandonar idéias de vingança de bancos e valer-se do que mais apreciam, que é o dinheiro. Só dinheiro atenua rombos que envolvem dinheiro.
Já se tornou lugar comum, em poucos dias, alertar que o momento continua sendo não de catastrofismo mas de cautela e algumas providências, como (no caso do Brasil) o enxugamento dos gastos públicos abusivos e o excessivo custo da máquina pública, para que não sejam sacrificados os projetos de desenvolvimento e os atendimentos sociais. Crises financeiras se combate com procedimentos iguais em contrário, e estes exigem maestria no frear negócios de risco e, no caso dos governos, a aplicação sábia em empreendimentos desenvolvimentistas que revertam a situação. Esta é uma oportunidade de ajustes e reordenação, para que os agentes diretamente envolvidos no processo e a humanidade como um todo aprendam a abandonar as práticas nocivas, que os têm levado muitas vezes à derrocada, e lhes indiquem o caminho claro e seguro.
Se é certo que os financistas buscarão tirar vantagens da crise, o Brasil, sem culpa, poderá ganhar com o incremento das exportações do agronegócio e pela valorização do dólar. Como esta é uma crise que não resultou de catástrofes dolorosas para pessoas como tormentas, tsunamis, grandes secas ou escassez de alimentos não há mal, no caso brasileiro, ficar atento às boas oportunidades de expandir exportações na área alimentar, porque a humanidade poderá diminuir a aquisição de bens duráveis mas não deixará de alimentar-se.





