A oportunidade de dar vida melhor para uma criança carente pode começar pelo esporte, e isto é o que fazem as denominadas escolinhas de futebol, capitaneadas por ex-jogadores. E não apenas as de futebol, mas também de outras modalidades que despontam aqui e ali, tocadas mais pelo idealismo e por anseios de ajudar do que pela obtenção de ganho. No caso do futebol – conforme reportagem de ontem deste jornal – pelo menos duas destacadas escolas funcionam em Londrina, uma nos Cinco Conjuntos e outra junto ao Instituto Agronômico (nos campos da Associação dos Funcionários da instituição), esta com o nome de Centro Brasileiro de Tecnologia Esportiva, que também celebra convênios com outros países (nos próximos dias chegará um grupo de garotos japoneses, que vem aprender futebol). Os meninos carentes que freqüentam essas escolas estão tendo, dessa forma, a oportunidade de direcionar rumos de vida, pelo estímulo a vocações e pelo aprendizado, quando a cidade enfrenta grave problema de desvio de menores para a delinqüência, por falta de opções. É também por meios como esses que se contribui para a solução da delicada questão da criminalidade juvenil, que tem ocupado freqüentemente o noticiário, sem providências substanciais, até pelas suas implicações sócio-econômicas. A escolinha de futebol dos Conjuntos conta, além da dedicação desses treinadores, com a ajuda de empresários e outros voluntários, e a do Instituto Agronômico – que objetiva converter-se em centro de excelência no gênero – tem apoio das universidades nos atendimentos de nutrição, fisioterapia e outros setores afins. Estes centros abrem oportunidade às crianças e adolescentes com talento para o futebol e possibilidades futuras de uma carreira, especialmente no momento histórico em que o Brasil ostenta o título de penta-campeão mundial de futebol e tem sido um fornecedor de jogadores para o mundo, e acima de tudo evitam a eventual queda desses meninos para os descaminhos. Iniciativas como estas devem ser incentivadas, sem descuido de outras providências, não só às crianças carentes mas também às suas famílias, e isto ocorrerá por via de emprego, moradia decente, escolaridade básica e profissional, atendimentos de saúde e oportunidades específicas de trabalho para os menores, até onde a idade permitir. Benefícios que em parte já são proporcionados pelo poder público e por instituições privadas, mas ainda insuficientes. As escolinhas de futebol e as tantas outras que contemplam esportes e atividades – não só em Londrina mas em inúmeras cidades paranaenses – são demonstrações de que existem caminhos de solução para os problemas sociais, especialmente os que envolvem os adolescentes, cidadãos mirins em começo de vida e que, em poucos anos, formarão o contingente da nação brasileira.

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