O perito Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho menciona um sociólogo americano chamado A.C. Jeffrey para avaliar os índices de criminalidade de Londrina em 2002.
Os 92 homicídios ocorridos na cidade, segundo sua tese, nada mais seriam do que resultado do próprio desenvolvimento do município, cujos administradores não se preocuparam com o crescimento harmônico da localidade nas últimas décadas.
Jeffrey, que segundo o diretor-adjunto é da Universidade da Flórida, formou um grupo multidisciplinar de cientistas, sociólogos urbanos, juristas e urbanistas, entre outros, para estudar como os crimes se manisfestavam em diferentes cidades e regiões. A comissão chegou à conclusão de que o crime é movido pela oportunidade ambiental.
Pela tese, as características regionais estimulariam diferentes delitos em diferentes regiões.
Assim, o sequestro seria comum no Rio de Janeiro, onde a proteção e a boa visão encontrada dos morros facilitaria a prática.
Tipos de estelionato como o Golpe da Arara, no qual o criminoso, com falsa identidade, abre contas, empresas e causa um grande prejuízo ao comércio já são mais comuns em São Paulo, facilitados pelo grande conglomerado popular e urbano do local.
Segundo Oliveira Filho, o grande número de homicídios em Foz do Iguaçu seria estimulado pela condição geográfica: a tríplice fronteira, que dá fácil escape ao criminoso.
O perito destaca Maringá como um caso de desenvolvimento urbano e econômico harmonioso, refletindo em baixos índices de criminalidade.
''Mesmo proporcionalmente, é um município que tem índices bem melhores do que Londrina'', avalia.
Ele diz que há dez anos, a preocupação da polícia era com o furto qualificado a empresas e residências. Mas Londrina cresceu de forma desordenada, criando um ambiente para o aumento de criminalidade que se vê hoje.
''A ousadia aqui ultrapassou o normal, com tiros sendo disprados contra equipes de televisão, mas a cidade ainda não é o Rio de Janeiro.''

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