OPORTUNIDADE - Capital empreendedor, uma boa opção para as empresas
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sexta-feira, 02 de outubro de 2009
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O mundo dos negócios vive uma situação curiosa: há, de um lado, centenas de empresas que precisam de investimentos e, de outro, dezenas de investidores com recursos disponíveis. Unir as duas partes não é, no entanto, uma tarefa fácil. O principal motivo é que as empresas interessadas, quase sempre, não preenchem os requisitos mínimos exigidos pelos investidores.
Este assunto foi tema de palestra promovida recentemente pela Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (Adetec). Um dos convidados para falar sobre o assunto foi o chefe do Departamento de Novos Negócios da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) Renato Marques, do Rio de Janeiro. A Finep é uma empresa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Marques afirma que o capital empreendedor é algo ainda novo no Brasil, mas que não pode ser confundido com empréstimo bancário. Segundo ele, quando o investidor e o empreendedor formalizam um contrato, geralmente com prazos predeterminados, estão, na verdade, organizando uma sociedade.
Por que há falta de informação entre as empresas interessadas em buscar os meios necessários para viabilizar seus projetos?
É desconhecimento, realmente. É uma cultura nova no País. Quando a gente começou a trabalhar com isso em 2000 não havia praticamente nada. Tinha uma ação pontual aqui, ali, mas as pessoas nem sabiam que estavam fazendo capital empreendedor, venture capital. Hoje a gente tem uma estrutura, tem uma associação de classe, que é a Associação Brasileira de Venture Capital. Temos congressos anuais sobre o tema, temos 40 ou 50 fundos operando com isso no Brasil. Houve realmente um crescimento, mas ainda é muito pequeno em comparação ao que se vê nos Estados Unidos e na Europa.
Quais os negócios mais seguros ou de maior rentabilidade no momento?
A gente não tem como falar em segurança. No que a gente percebe no mercado, são empresas nascentes ainda. Não tem como dizer o que é seguro porque você não sabe o dia de amanhã. Quem estava com o dinheiro na bolsa há um ano achando que era seguro, levou um tombo de 50%, teve ação que virou pó. Se com a ação negociada em bolsa não se consegue isso, imagine com uma empresa pequena, saindo agora para o mercado, como você vai conseguir dizer para alguém que é segura? É muito mais uma questão de avaliação de negócio, de feeling do investidor, de experiência, de conhecer o mercado, do que propriamente de ter uma segurança naquele ou em outro negócio.
E os resultados, são satisfatórios? Esse é o caminho mesmo?
O resultado que a gente tem é do crescimento do mercado. Triplicou o número de fundos existentes, cresceu mais de 1.000% ou 2.000%. A gente pode dizer que o mercado está sendo atrativo para os investidores. Eles estão entrando e começando a originar mais negócios. Agora, o próprio ciclo de negócios desse mercado é de oito ou 10 anos. Para o investidor entrar numa empresa, a empresa crescer, ele vender, ter resultado, são 10 anos. E não tem como mensurar este impacto por ser tão recente essa cultura no País. O mercado está crescendo, mas se é o caminho eu só vou saber dizer daqui a 10 anos, quando esses fundos estiverem fechando e a gente souber se deram dinheiro ou não. Acredito que sim, porque as empresas estão crescendo dentro desse fundo, as empresas com certeza estão se valorizando.
Mas há empresas que ainda preferem buscar recursos em bancos...
É importante frisar que o capital empreendedor não é nenhum bicho de sete cabeças, não é um empréstimo bancário. É uma ideia realmente de sociedade. A pessoa vai ser sócia da empresa, a empresa vai crescer e é desse crescimento que o investidor vai ganhar dinheiro. É aquela coisa: é melhor você ser dono de metade de uma BMW do que ser dono 100% de um fusquinha velho.
A relação investidor/empreendedor depende muito de confiança?
Isso é igual casamento. Você está indo buscar um sócio para a sua empresa, está indo buscar uma esposa, ou seja, vai ter que conviver boa parte de sua vida. A esposa você ainda pode mandar embora, mas o sócio não tem como. Se não houver uma relação de confiança e transparência desde o início, a situação fica insuportável.
Serviço - A Finep tem por objetivo fomentar a inovação, pesquisa e desenvolvimento entre empresas e universidades de todo o País. Há diversas modalidades de repasses de recursos, reembolsáveis ou não. Veja mais detalhes no portal www.capitalventure.gov.br


