Ou a Câmara Municipal, em Londrina, diminui o número de assessores ou o Ministério Público ingressará com ação civil pública por improbidade administrativa. A advertência foi feita pelo promotor Renato de Lima Castro em encontro com representação da nova legislatura, realizado a seu convite na Promotoria do Patrimônio Público. Porque atualmente existem 88 funcionários comissionados e 46 concursados, quase o dobro do regimental.
Fazendo coro com as vozes do povo, a autoridade questionou: ''Será que é necessário tudo isto?''. Além de, obviamente, não ser necessário, isto foge das normas e encarece o custo público. A situação foi herdada da legislatura anterior e tem prazo para ser corrigida. Já em agosto o MP havia expedido recomendação nesse sentido, depois de investigação sobre a existência de funcionários-fantasmas no corpo de assessores.
Eram casos de apaniguados de vereadores que nem compareciam ao suposto local de trabalho. Além de não baterem cartão-ponto, desempenhavam ações de cabos eleitorais, conforme a constatação dos promotores Renato de Lima Castro e Leila Voltarelli. Em parte, na ocasião, a recomendação foi atendida. O argumento dos vereadores era que essas pessoas - regiamente pagas com dinheiro público - contribuiam para o assessoramento junto à comunidade. Se são os próprios vereadores que estabelecem normas e as criam também em seu benefício, não há - como questiona o promotor - necessidade de tanta gente. O presidente interino da Casa, Jairo Tamura, mostrou desconhecer o assunto, durante a reunião, o que de certo modo se justifica considerando os poucos dias de investidura, mas é certo que sobre os benefícios inerentes à função os vereadores se inteiram mais rapidamente.
Importa é que doravante sigam a norma legal, e mesmo que exista elasticidade regimental para abuso de gastos - que se pode melhor denominar permissividade - será preciso impor um freio nisto, por iniciativa dos próprios vereadores. Mesmo que livres para gastar toda a volumosa verba destinada à Câmara, um corpo legislativo consciente pode optar pelo gasto mínimo ao invés de decidir pelo máximo.
É fundamental que um poder externo intervenha, no policiamento entre as instituições, mas o que se espera é que isto nem seja necessário e que cada uma delas implante a economia de gastos e a moralidade, em seus redutos, por própria iniciativa. A opinião pública, rescaldada com os escândalos da legislatura anterior, com toda a certeza não tolerará mais abusos. Portanto, que fiquem alertados aqueles que (velhos ou novos na Casa) eventualmente pensam em locupletar-se.

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