OPINIÃO DO LEITOR: Terapias nas redes
Há um código de ética que rege a profissão e seus inúmeros desmembramentos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de outubro de 2024
Há um código de ética que rege a profissão e seus inúmeros desmembramentos
Nina Cardoso 
Lendo a matéria publicada em 14 de outubro, sobre as postagens que a "geração Z" está fazendo, sobre as suas consultas terapêuticas, gostaria de dizer algumas coisas.
1 - sou psicóloga, especializada em organizacional, mas com capacitação para educacional e clínica, pois, quando estudei e me formei, já saíamos da faculdade assim capacitados. Também tenho uma pós-graduação na área clínica, feita com o professor Luiz Fernando Teixeira Dantas, uma das melhores cabeças pensantes à época.
2 - aprendi que uma sessão terapêutica é um momento de parceria, de intimidade emocional entre o paciente e o terapeuta e que deve ser executada em ambiente reservado, calmo e exclusivo para os dois. Há um código de ética que rege a profissão e seus inúmeros desmembramentos. Um de seus itens estabelece que tudo que ocorre durante a sessão deve permanecer em sigilo, não podendo ser divulgado a não ser sob ordem judicial. E isso deve ser informado pelo profissional ao seu cliente, desde o início do tratamento. Normalmente está estabelecido em um contrato de atendimento assinado por ambas as partes.
3 - isso esclarecido, o fato do cliente gravar e divulgar o teor da sessão terapêutica pode ser encarado como uma transgressão passível de denúncia. Se eu estivesse atuando na área clínica e um dos meus pacientes fizesse isso - logicamente sem minha autorização, eu o processaria por quebra contratual e por invasão de privacidade profissional. com direito a indenização. Depois de dois ou três processos estabelecidos, tenho certeza que essa prática iria desaparecer.
4 - sabemos, todos, que o que leva alguém a fazer tal coisa é a necessidade de se fazer notado em uma sociedade cada vez mais individualista e centrada apenas em seus próprios interesses. Mas é, no mínimo um grande desrespeito para com o profissional que se dispõe a usar seu tempo para beneficiar o outro.
Nina Cardoso, psicóloga formada pela UERJ/1976
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