Ser considerado suspeito por um tribunal judiciário odiado pelos brasileiros do bem é prova cabal de que o ex-juiz Sérgio Moro sempre esteve no caminho certo. No país do saque oficializado do dinheiro público, escudado pelo beneplácito de uma legislação penal frouxa formatada pelos próprios larápios, é óbvio que não poderia faltar um protetor credenciado para neutralizar o agente que reprime e pune as falcatruas. É claro que o bando que pilha o erário não dorme no ponto e espertamente levanta seus escudos. Desta vez, a urdidura foi encabeçada por um magistrado atormentado pela emulação de um comportamento heroico do juiz da Lava Jato, que por cinco anos avivou a esperança de vermos os corruptos pagando pelas suas bandalheiras.

O conluio para decretar a suspeição de Moro teve a liderança justamente daquele togado que mais abre portas das cadeias para criminosos reconhecidamente em dívida com a Justiça, acompanhado pelo voto de mais seis ministros que a sociedade sente repugnância, inclusive do indicado pelo presidente que prometeu combater a corrupção, mas não honrou a sua palavra. Na perseguição a Moro, o implacável algoz utilizou-se de provas ilícitas para alegar a falaciosa parcialidade.

Quantas vezes o Brasil assistiu vídeos de situações reais, onde esse mesmo perseguidor manteve conversas suspeitíssimas com governantes e políticos corruptos. Quantos habeas corpus concedidos a criminosos e fugitivos da Justiça. Isso sim é parcialidade; é exercer a sua preferência sem se importar com a justiça e com a verdade. Ainda temos autoridades honestas, mas são em número reduzidíssimos diante da multidão de desprovidos de decência, de honra e de decoro que habitam os poderes da República. Os brasileiros corretos se sentem impotentes diante de tanta falta de caráter daqueles que protegem os bandidos do colarinho branco.

Quando é que o presidente do Senado vai se encher de brio e colocar em julgamento os pedidos de impeachment dos togados supremos, atendendo um grande anseio dos brasileiros? O desmonte da Operação Lava Jato e os ataques a Sérgio Moro e a Deltan Dallagnol nos envergonham profundamente; o Brasil voltou a pontuar fortemente no ranking dos países mais corruptos do mundo. A lamentar, também, o silêncio constrangedor daqueles que deram as costas para os ícones da Lava Jato e acreditaram no enredo charlatão de que a corrupção acabou nas hostes do poder.

Ludinei Picelli (administrador de empresas) Londrina

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