OPINIÃO DO LEITOR: Nadando em dinheiro
No próximo ano, a Câmara Municipal de Londrina vai ter à disposição R$ 4,75 milhões por mês para gastar
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2023
No próximo ano, a Câmara Municipal de Londrina vai ter à disposição R$ 4,75 milhões por mês para gastar
Ludinei Picelli 
Notícia desta Folha (Política, 01/09/23) dá conta que a nossa Câmara de Vereadores vai receber recursos na ordem de R$ 57 milhões para o exercício de 2024. O orçamento foi acrescido em 11,7 % com relação ao deste ano e 37,3% se comparado com o ano de 2021. Apesar da legalidade do repasse, esses números são chocantes, tanto pela sua exorbitância, bem como pela inexpressividade da atual legislatura da nossa casa de leis.
Desta forma, no próximo ano, a Câmara Municipal de Londrina vai ter à disposição R$ 4,75 milhões por mês para gastar. Sendo assim, considerando que toda a estrutura montada visa atender as atividades e o desempenho dos 19 vereadores, cada um deles poderá representar um custo de até R$ 250 mil mensais aos contribuintes londrinenses. São cifras extravagantes que nos deixam boquiabertos diante da exiguidade das verbas destinadas a outros segmentos de atendimento da população.
Concomitantemente a esse despautério, assistimos à reclamação dos prefeitos paranaenses sobre a queda dos repasses governamentais para os municípios, na ordem de 20%, o que está obrigando-os a cortar verbas até dos serviços médicos de emergência (Folha, Política 29/08/23 e Editorial 02/09/23). Também nesse sentido, conforme informação da Diretoria de Orçamentos da Prefeitura, as verbas orçamentárias para atender políticas públicas em Londrina são insuficientes para as demandas e fala-se até em aumento de impostos para dar cabo da situação que é recorrente e emergente. Tentar tributar ainda mais o contribuinte seria um disparate inconcebível.
Todavia, é de praxe a Câmara devolver dinheiro no final de cada exercício porque, mesmo que queira, não há onde e nem motivo para gastar; as dotações orçamentárias para os parlamentos são generosas e superdimensionadas, contrastando com a penúria das camadas mais pobres da população. Então, seria mais coerente que essas sobras fossem estimadas logo no início do exercício, remanejadas para outras rubricas e serem aplicadas de imediato em prol do povo mais carente, que sofre as agruras insuportáveis nas filas de longa espera em busca de consultas médicas, exames, cirurgias e outras necessidades extremas.
Essa providência amenizaria mais rapidamente o martírio de muitos necessitados e nos pouparia de assistirmos aquela manjada demagogia, encenada no final de cada ano para a devolução de verbas "economizadas" pelo legislativo municipal.
Ludinei Picelli (administrador de empresas) Londrina


