O cenário de desmonte e privatização das empresas públicas praticado por governos entreguistas, como é o caso da Corsan, no Rio Grande do Sul, da Copel e da Sanepar, no Paraná, da Cedae, no Rio de Janeiro, da Sabesp, em São Paulo, da Cemig e da Copasa, em Minas Gerais, e da Eletrobras, com a intenção clara nonsense de colocar em prática o neoliberalismo jurássico que enxerga no rentismo predatório o suporte necessário e ideológico para rezar a cartilha do estado mínimo, que infelizmente prejudicará milhões de brasileiros com aumento tarifário e péssimas condições de serviços ofertados para a população. Vide o recente caso de apagão em todo o território nacional com prejuízos incalculáveis para os municípios, estados e para a própria administração federal, é uma sandice.

Ora, no caso da água e esgotamento sanitário é sabido que faltam soluções para os graves conflitos e indefinições que circundam o setor brasileiro, como o manejo dos resíduos sólidos urbanos; a conservação dos mananciais; das águas pluviais urbanas; dos serviços de saneamento nas caóticas regiões metropolitanas; da ampliação dos sistemas de tratamento de água e coleta de esgoto sanitário, etc.

Detalhe: todas essas questões não serão resolvidas exterminando as companhias estaduais de saneamento, elas atendem mais de 70% da população em substituição à simples privatização do setor. No caso das empresas públicas de eletricidade, não há argumento que resista, todas elas superavitárias e no caso da Copel, do Paraná, uma das melhores do Brasil.

Somados a isso, atualmente em vários países como França, Portugal e Alemanha, os serviços antes privatizados de água e eletricidade foram reestatizados. Dessa forma, mais uma vez os governos jogam contra os interesses da população que terá que arcar com os prejuízos do desmonte e nefastos apagões que serão cada vez mais frequentes e sucessivos.

Assim, é um direito da opinião pública se mobilizar e exigir que os seus interesses sejam resguardados, já que partindo de governos entreguistas, companheiros do rentismo neoliberal chucro e insano que aí está, não dá pra esperar coisa boa. De outra forma, corremos o risco de entrar para a história não como o país do apagão, mas como povo apagado ou no entreveiro das redes sociais: um povo cancelado.

Antônio Sérgio de Azevedo, estudante, Curitiba

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