Li, com muita atenção, o texto publicado na edição de 24 de fevereiro, de autoria do professor Nelio Roberto dos Reis, "Esse país não é sério". O assunto ali comentado - a desigualdade existente na população brasileira - nunca foi tão atual. É patente que, desde que o mundo é mundo, a desigualdade entre os seres humanos sempre existiu. Com o tempo e o aparecimento das organizações sociais percebeu o homem que seria necessário criar regras e leis para estabelecer formas de convivência pacífica nos clãs, nas tribos e na sociedade mais moderna como a de hoje. E, penso eu, foi aí que a desigualdade foi legalizada sempre em benefício dos mais poderosos. E até hoje é assim! Alguma coisa foi melhorando desde os tempos passados quando reis, imperadores e déspotas impunham suas leis autoritárias sempre em benefício próprio ou para beneficiar os seus e as classes privilegiadas. Com os regimes democráticos modernos, o poder absoluto foi substituído pela escolha de dirigentes das nações através do voto, como acontece no Brasil. Acontece que, salvo raras exceções, os eleitos são sempre os mesmos poderosos do passado ou seus subordinados e que, claro, fazem o que sempre vemos e sentimos: tudo para cá e o resto (se sobrar) para lá! E para conseguir se eleger ou eleger quem lhes convenha, vale tudo: desde conceder isenção de impostos temporários de um lado ou fraudar eleições do outro (pelo menos é o que se percebe). E, assim, continua a desigualdade de classes que só aumenta até quando ocorre uma pandemia. Segundo informações confiáveis, o número de bilionários (em dólares) aumentou muito nos três últimos anos no mundo todo. E, sabemos todos: "eles" enriqueceram mais e, por isso, os já pobres ficaram ainda mais pobres! Dinheiro, em qualquer moeda, é só o meio de troca: se alguém está ganhando mais, um outro alguém está perdendo!

Edgar Baer (advogado) Londrina.

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