STF de joelhos
A decisão da presidente do STF, Carmem Lúcia, para salvar a pele de Aécio Neves, a guerra aberta por Gilmar Mendes contra a firmeza das atuações dos juízes de 1ª instância e a atitude de servilismo do ministro Dias Toffoli, suspendendo o julgamento das medidas para impor restrições ao foro privilegiado, subjugaram a Suprema Corte aos interesses criminosos dos parlamentares. Cármen Lúcia abriu as portas da cadeia para deputados e vereadores corruptos do Brasil inteiro. Assembleias legislativas e câmaras municipais reincorporaram integrantes que estavam afastados e presos, afrontando e revogando decisões de instâncias superiores do Judiciário. Gilmar Mendes, sempre demonstrando uma superioridade irracional e aparentando padecer de ciúmes, nunca admite o sucesso dos juízes da Lava Jato que atuam de forma honesta e imparcial para colocar os criminosos na cadeia. No bojo da vergonhosa decisão de Toffoli há algo de muito podre. Paralelamente ao julgamento no STF, a Câmara Federal também discute o assunto. Os deputados manobram para tirar dos membros do Judiciário o direito ao foro especial como retaliação à decisão de limitações do privilégio, aprovadas pela Suprema Corte. É uma artimanha para constranger os ministros, "melar" a reformulação moralizadora do foro e deixar tudo como está. E o pior: já falam em estender o benefício do foro privilegiado para os ex-presidentes da República, conforme tese defendida pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP). Se isso vingar, Lula, Dilma, Sarney, Collor e Temer (a partir de 2019) somente poderão ser julgados pelo STF. E sabem quem vai ser o próximo presidente do tribunal? Sim, ele mesmo, Dias Toffoli. É lastimável esse aviltamento do Supremo.
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) – Londrina

Faxina ou limpeza política?
Uns falam em limpeza, outros em faxina. Por onde se vai ouve-se dizer que o este ano será o do início da desinfetação dessa úlcera chamada político corrupto. Aí, fiquei curioso. Seriam sinônimos as duas palavras: faxina e limpeza? Bem, não importa o significado didático e correto dessas palavras, e sim o que está pensando o eleitor ao pronunciá-la, e é isso mesmo o que você está pensando agora: banir da vida pública, não elegendo os que não souberam honrar a tão nobre missão que, em última análise, é a que nos ajuda viver. Isso mesmo, viver. Pense um pouco se não é isso mesmo. Mas não se enganem os nobres eleitores, essa praga – políticos safados – são como um famoso vírus, que quando o remédio está começando a pegá-lo, veste nova roupagem e foge do seu alcance, para voltar a sugar novamente o corpo que o sustenta. Então, vamos sim, nós todos, por obrigação mesmo, igual aos que se unem para apagar o incêndio nas florestas, empunhar as armas que temos, como: diálogos; redes sociais; grupos diversos e, por fim, com muito orgulho e dignidade dar o golpe fatal: o voto. A propósito, a diferença entre limpeza e faxina, é que a limpeza é algo corriqueiro onde você procura manter tudo limpo ou em ordem, e no caso da faxina é algo mais completo como a limpeza geral de todos os cômodos da casa ou todas a peças de um determinado conjunto de objetos. E você o que fará? Feliz 2018 para todos.
JOSÉ ROBERTO BRUNASSI (advogado) – Londrina

Fujimori
A história do ex-presidente peruano Alberto Fujimori caía no esquecimento, mas como ele se beneficiou com o indulto humano do atual presidente Pedro Pablo Kuczynski a história dele veio à tona. O capítulo mais dramático da sua política foi a guerra que declarou contra a organização criminosa MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru). Pela curiosidade, o MRTA foi fundado por um descente de chineses, de nome Po Lay. Já Fujimori era filho de imigrantes japoneses. Diz-se que o MRTA nasceu e prosperou no governo de Fernando B. Terry (1980-1985). Além desta organização, no Peru havia outra organização criminosa tão poderosa como PCC do Brasil. Era Sendero Luminoso que matou mais de 30 mil pessoas. Sua especialidade era assaltar bancos; já atuação do MRTA era mais moderada, pois seu objetivo era proteger os plantadores de coca e maconha. A cultura de coca do Peru se assemelha à da Bolívia. Nos anos de 1993/1994, Fujimori conseguiu prender o líder máximo do MRTA e se dizia: "Ninguém tem dúvida que o MRTA vai ser derrotado". Contudo, a história não terminou conforme a declaração dele. Em suma, prenderam e mataram os terroristas, mas dentre os mortos estavam 25 inocentes. A Corte peruana não perdoou Fujimori e condenou-o a 25 anos de cadeia.
OSAMU ARAZAWA (contador) – Londrina

■ As car­tas de­vem ter no má­xi­mo 700 ca­rac­te­res e vir acom­pa­nha­das de no­me com­ple­to, RG,
en­de­re­ço, ci­da­de, te­le­fo­ne e pro­fis­são ou ocu­pa­ção. As opi­niões po­de­rão ser re­su­mi­das pe­lo jornal.
E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup