OPINIÃO DO LEITOR
Mobilização contra a corrupção
Na condição de contribuintes, temos o direito e dever de exigir dos órgãos responsáveis pela aplicação do dinheiro público o cumprimento de suas obrigações quanto à fiscalização do dinheiro que pagamos de impostos (federais, estaduais e municipais) e exigir destes a contrapartida, ou seja, as garantias sociais previstas no artigo 6º da Constituição Federal. Para tanto, é necessário a mobilização da sociedade para exigir dos órgãos competentes as obrigações que lhes foram confiadas nos artigos 70, 71 e 74 da Constituição Federal. O caos gerado pelos roubos, corrupção que impera no Brasil, não deixa dúvidas de que os agentes que compõem tais órgãos não têm interesse em cumprir com suas obrigações no combate à corrupção, exceto a Polícia Federal, MPF (Ministério Público Federal) e MPE (Ministério Público Eleitoral), no incansável trabalho contra os ladrões dos cofres públicos. Na realidade, o desinteresse no combate e fiscalização se deve aos altos salários, mordomias e outras benesses que recebem os agentes que compõem os órgãos de fiscalização. Enquanto a população sofre com a falta de emprego, segurança, saúde, educação e moradia. Exemplos temos de sobra do mau uso do dinheiro público e da roubalheira praticada por quadrilhas instaladas nos Três Poderes. Enquanto o contribuinte sofre pagando pesados impostos, outros desempregados fazendo bicos para levar o sustento para os filhos, hospitais fechando por falta de recursos, as quadrilhas armazenam em apartamento, outros transportam em malas fabulosas fortunas em espécie sem contar os milhões em contas no exterior, cientes que não sofrerão (com aval da Suprema Corte) a mesma penalidade do cidadão comum. Diante do quadro deplorável, é necessário a mobilização da sociedade contra a corrupção, exigindo dos órgãos competentes o cumprimento de suas obrigações.
MALVER GERMANO DE PAULA (advogado) Londrina
Filhotes da jararaca
Em carta de leitor (Opinião, 27/12), a imagem da jararaca é colocada para desqualificar figura política. Política humana à parte, mas no reino animal as políticas são bem outras. Moramos na roça e tivemos em um ano o capricho de registrar, capturar e soltar, longe no mato, as 45 jararacas que apareceram perto de casa. A vovó conta que em mais de 80 anos de existência da fazenda nunca houve acidente com jararacas. São raros os acidentes na região, pois a jararaca logo percebe a presença humana e se esconde. Mesmo em situações de nosso total descuido, a jararaca faz de tudo para não desperdiçar seu precioso veneno. Ela só procura se defender... Ao contrário dos muitos humanos que gostam de atacar e envenenar o ambiente. Quanto ao preocupante quadro político do Brasil, seria hora de se inspirar nos reinos dos bichos e das plantas. Somos campeões mundiais de biodiversidade e também poderíamos ser campeões no dia a dia se apenas votássemos em candidatos que tenham um estilo de vida discreto, apareçam tão pouco como as jararacas, reconheçam a diversidade e parem de confundir e sangrar o contribuinte.
DANIEL STEIDLE (educador ambiental) - Rolândia
Quem vê cara não vê coração
O prédio do Congresso Nacional, uma beleza arquitetônica, não condiz com as canalhices ali tratadas, ou seja, com os canalhocratas que ali atuam. Ao visitá-lo, cuidado com a carteira! Chegam a dizer que é um lugar onde se concentra a maior quantidade de malfeitores por metro quadrado. O salão verde da Câmara dos Deputados está vermelho de vergonha graças à despudorada ação de seus ocupantes! O general Olímpio Mourão (falecido em 1972) foi profético quando comentou certa vez: "Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto e, 24 horas depois, a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, de que tudo quanto faz está certo. Em pouco tempo, transforma-se um ignorante em sábio, um louco em gênio equilibrado, um primário em estadista. E um homem nessa posição, empunhando nas mãos as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso. Enquanto esse monstro é dirigido e explorado apenas pela lisonja, bajulado pela corte, a Nação sofre prejuízos de monta, é verdade, mas, apenas danos materiais em sua maioria e morais alguns. Quando porém, sua roda é formada ou dominada por um bando refece de demônios, nesse momento a Nação corre os mais sérios perigos". Portanto, cuidemo-nos antes que seja tarde!
WILSON OLIVEIRA TRINDADE (bacharel em Direito) Londrina
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